O amor é brega. E quem não é?

terça-feira, 25 de abril de 2017

EU NUNCA SOUBE DIZER ADEUS, MAS FOI NECESSÁRIO.




Arrumo minha mala enquanto ele permanece deitado na cama olhando a minha (des) organização.Tem muito de mim ali, muito mais do que eu poderia imaginar; tentei voltar no tempo e lembrar quando mesmo foi que eu me isolei e comecei viver nesse mundinho só dele e só nosso.Ele me olha fixamente e pergunta:


- Você precisa realmente ir?

Continuo a fazer minha mala, o silêncio permanece em mim, não consigo falar.

- Garota,por favor, não se despede de mim e não me deixa aqui somente com as nossas lembranças...

Preciso segurar o choro, eu tenho que ser forte.

- As lembranças ainda serão minhas, nossas.
- Não quero viver de lembranças...
- Não faz assim, eu nunca fui muito boa com despedidas.
- Então qual a real necessidade de se despedir?Desfaz essa mala...
- Não dá rapaz, preciso ser forte e seguir em frente.
- Seja forte aqui comigo.

Essas palavras me seguram, e ao mesmo tempo eu me seguro para não chorar.

- Se é o que quer, faça, mas se não for, larga essa mala e deita aqui comigo.

Fico por alguns instantes olhando para a cama e lembrando de tudo que vivemos ali, do quanto fomos felizes e de como eu quis que desse certo, só que não deu, o jeito dele era diferente do meu, não dava mais para aceitar, foram longos anos vivendo daquele jeito, precisava colocar um fim:

- Eu preciso fazer.
- Vou sentir sua falta , garota.
- Por favor não mente.
- Não estou mentindo, queria que fosse mais fácil
- Infelizmente não é.
- Fica comigo só agora.
- Não posso, se eu ficar agora vou querer ficar para sempre.

Essa foi a nossa última conversa, e com lágrimas nos olhos respirei fundo, virei as costas e segui. Sabe como é né, eu nunca fui o tipo de garota que se sai bem com despedidas, e para ser sincera não gosto de me (des) pedir, curto quando a pessoa quer e consegue ficar. Três anos nessa história, essas idas e vindas e desencontros do amor. Ele com aquele jeito dele todo (des) ligado e (des) apegado, fez com que eu me jogasse, nunca combinamos em nada, absolutamente nada, manias, vícios e costumes, coisas que aos poucos eu fui tentando moldar e encaixar, mas que não deu.

Ele sempre criticou a minha mania de fazer tudo  (trans) bordar, de nunca ter aprendido a me doar pela metade, e sempre fazia questão de lembrar que quero tudo para ontem ou para sempre. Ele nunca entendeu o meu jeito de ser e de me jogar,  e por diversas vezes eu me joguei sozinha, porque ele nunca quis se jogar comigo. Hoje eu estou partindo, dando adeus, e por mais torturante que possa ser, não tenho muitas alternativas; ou eu sigo em frente ou permaneço aqui, com tudo do mesmo jeito.

Hoje eu cresci e mesmo assim sei que vou sentir saudade, porque nada é fácil, mas não posso me anular por mais tempo e nem viver à sua maneira, o seu modo de se relacionar é diferente do meu. Se eu nunca fui boa com despedidas, hoje aprendi a me despedir; deixei naquele quarto todas as lembranças e planos.

Seja feliz ai que eu serei feliz aqui, não me odeie por ter partido, entenda os meus motivos. Não dava mais para continuar.


ANDRESSA LEAL
Andressa, desde 1986. Mauá - SP, uma mulher cheia de mistérios e repleta de poesias, encontrei nos textos e poesias minha fuga, meu refugio, meu mundo, algo só meu que compartilho com você. Aqui serei simplesmente eu, textos que nem na pagina do facebook eu posto aqui irei postar. Um dia sem poesia para mim é um dia em vão!

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