O amor é brega. E quem não é?

terça-feira, 28 de março de 2017

VIVER É SOBRE PEQUENAS COISAS..


Mas, nunca sobre coisas pequenas. É isso, um paradoxo simples para dizer que a vida é sobre minúcias, mas não sobre misérias. Estamos acostumados a nos acomodar, e a relacionar leveza com falta de intensidade. Não é bem por aí, a vida é sobre se doar e se doer, nunca sobre deixar de sentir e se guardar numa caixinha, até porque, isso de se proteger das dores do viver, não está com nada. Existe uma linha tênue que separa uma vida leve de uma vida sem sabor. Um amor, por exemplo, não pode ser pequeno, mas deve ser construído por pequenezas. E eu, sem dúvida, escolho o gosto de ganhar nos detalhes: um beijo, um abraço que pede ”fica mais cinco minutinhos, ou até amanhã de manhã”, uma conversa que conforta e mostra que viver é melhor a dois, quando já aprendemos a viver conosco, sozinhos.

Construir a nossa curta estrada, nesse mundo, sobre detalhes, é a melhor opção. Levar conosco sorrisos, crer na eternidade que cada novo dia carrega e levar na mala momentos que, ainda que nunca se repitam, estão sempre acontecendo novamente em nós. Guardar conosco pequenas partes do que vivemos é montar uma vida real e plena, sem arrependimentos e nem vontades de olhar para trás, afinal, trouxemos conosco o necessário. E isso, é bem diferente de sair por aí vivendo apenas pedaços de coisas que poderíamos viver inteiramente, ou passar por superfícies sem jamais deixar rastros, nem em estradas, nem em corações. Dar o pouco ao outro é pedir à força do mundo que nos devolva o pouco, e não conheço ninguém que queira tão pouco assim. A receita para momentos felizes seria, então, entregar-se por completo, ainda que a eternidade disso seja apenas alguns minutos.

O tempo está além do que podemos controlar, mas ainda podemos conduzir a forma que lidamos com a passagem dele. Ao olhar o que ficou para trás, veremos que não há arrependimentos de nada, intenso que foi. O tempo levou, não era para sempre, mas é para sempre uma parte da nossa história. Ou seja, construir uma história é lidar com cada pedacinho do que somos, passando por uma estrada, sem fixar morada, deixando parte de nós, levando parte de cada coisa e pessoa que conhecemos. Não falta nada, a vida é um conjunto de detalhes que formam um universo gigante, não aceite tão pouco!

NATH SOARES
Uma menina-mulher, brasiliense, perdida nos sonhos e achada no meio das palavras. Escreve desde que aprendeu a unir letras para formar mensagens. Por ironia, cursa Letras, talvez para se entender. Ama a escrita, mas mantém paixões como violões que não sabe tocar, corações que não acha a porta e a saudade, que preza pela inspiração que lhe traz. Coleciona canecas, miniaturas e amores inacabados. Carrega vícios como café, livros, rock e MPB. De amor e romance, tem o ser inteiro.

2 comentários:

  1. Amei demais seu texto, Nath. Que escrita leve! E como você bem disse, leveza não significa falta de intensidade. Seja oficialmente bem vinda, Nath 💙

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