O amor é brega. E quem não é?

quinta-feira, 9 de março de 2017

PORQUE NO FUNDO SEMPRE QUEREMOS MAIS



Ela era daquelas que sempre queria um pouco mais. Não se contentou em ficar durante muito tempo em um lugar, pois acreditava que o mundo é muito grande para se enraizar em um só local. Mudou uma, duas, três vezes, até chegar a perder as contas. Mudou de casa, de cidade, de estado, de país, de pessoa, mudou a ela mesma. Em cada cidade, bairro, rua, sempre aprendeu e ensinou. Aprendeu coisas que lhe serão úteis para o resto da vida, outras que nunca mais ousará a fazer novamente. Ensinou sobre coisas que nem ela mesmo tinha certeza de que sabia, mas descobriu que sabia ajudar, e ajudar os outros é ajudar a si mesmo em dobro, pois isso aceitou de bom grado ensinar o que os outros conseguiam enxergar nela.

Ela chorou, chorou tanto que daria para encher uma piscina, quem sabe um rio, foram longas noites quentes onde tudo que ela mais queria era voltar ao início e não sair de casa nem mesmo para ir até a esquina. Mas ela mesmo já não sabia onde era início, tudo havia se tornado um meio sem fim, uma caminhada longa, mas necessária.

Mas ela também sorriu, abriu um sorriso, deu gargalhadas. Com os outros, dos outros, sozinha. Descobriu nos pequenos momentos de felicidade a força para sempre continuar seguindo em frente.
Em suas mudanças ela nunca ligou de ficar sozinha, não tinha medo da solidão, pelo contrário sempre aprendia com ela. Descobriu na solidão do seu quarto que era forte, e que podia sonhar. Descobriu que ao aprender a conviver com a solidão ela aprendeu muito mais sobre a si própria.

Ela aprendeu que ela poderia sonhar sem parar e sem ser julgada. Sonhava tanto que criou um mundo paralelo, que só aparecia sempre que ela fechava os olhos. Esse mundo não era tão diferente do que ela vivia, mas como ela sempre queria um pouco mais, não se satisfazia em viver apenas em um mundo, precisava viver em dois.

Ela teve conquistas, realizou desejos. Mas apesar de tudo que viveu, conheceu, aprendeu, ela sempre arrumava um tempo de lembrar de quem era. Quem ela era. E nessa lembrança de descobertas percebeu que sempre era a mesma, aquela que sempre quer algo a mais.

TAMARA PINHO.
Jornalista por amor (e formação), mineira, e sonhadora como uma boa pisciana. Vivo na internet, então é fácil me achar. Acredito que a escrita é libertadora e nos possibilita viver em diversos mundos ao mesmo tempo.

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