O amor é brega. E quem não é?

sexta-feira, 31 de março de 2017

ELA SABIA!



Ela levou a taça com vinho à boca, sorveu o líquido e sentiu o sabor seco inundar seu ser.
Ela era assim. Sempre assim. Lenta nas horas em que não deveria ser, abriu um sorriso que seria capaz de derreter qualquer geleira -  os sorrisos me derretiam.
O que eu poderia fazer se ninguém tinha descoberto a fórmula para resistir aquele sorriso? Naquele momento não me importava sua loucura. Ela era muito louca, mas estava com o coração machucado, e eu também estava. Éramos duas pessoas feridas tentando encontrar a cura.

– Você quer um pouco? - perguntou com aquela voz. E eu perguntei a Deus o que tinha nessa mulher. Minha mente me avisava que não ia dar certo, não me sentia pronto para aquela intimidade e mesmo assim aceitei o convite.

Estava na casa dela, na cozinha dela, sentado na mesa bebendo com ela. Todos os meus alertas mentais me mandavam sair de lá o mais rápido possível. Já tínhamos saído juntos, algumas outras vezes -  inegavelmente ela era interessante -  só que hoje ela estava diferente. Mais sedutora, meiga, sabia que ela tinha chorado um pouco antes de me encontrar,  parecia mais vulnerável. Não sei o que tinha àqueles olhos castanhos que mesmo atrás dos óculos estavam me deixando hipnotizado. Aceitei o vinho,  talvez me ajudasse a relaxar.

A mão dela tocou a minha quando me entregou a taça – um bom vinho merece uma boa taça -. Levou a bebida até a boca novamente e demorou dois ou talvez três segundo com ela nos lábios. Não sei bem se consegui vê-la terminar de tomar o vinho, não sei se conseguiria ver mais alguma coisa. Deixei a garrafa, a taça e meu autocontrole em cima do balcão e a puxei. Os seios dela bateram em mim, o corpo dela colou ao meu. Minha mente gritava sem parar me questionando o que eu estava fazendo.Não dei ouvidos. Acho que não ouviria mais nada mesmo naquele momento. Ela me olhou surpresa; acho que vi medo ou talvez receio naqueles grandes olhos. Ela era assim: transparente quando menos esperava ser.

Eu sabia, ela sabia.
O mundo poderia simplesmente não existir quando eu a beijei. Nada mais teria sentido depois daquele momento.
Não sabia se poderia mais me apaixonar por alguém depois de tantas vezes e de tantas feridas terem destruído minha fé em qualquer sentimento romântico, só que naquele momento, já tinha ferrado tudo, pra nós dois.

Ela tirou minha camiseta, nem sei se em algum momento consegui parar de beija-la, mas de alguma forma ela tinha conseguido tirar a blusa também. Ela encostou a testa na minha, e sorriu. Estava com vergonha de tê-la puxado daquela forma, mas não conseguia mais me segurar. Pedi desculpas, completamente envergonhado pela minha atitude. Ela se afastou procurando a garrafa, pegou a taça dela e a minha, olhou pra mim de uma forma carinhosa. Jogou a cabeça para o lado fazendo o cabelo ficar por cima do ombro e me perguntou se eu gostaria de conhecer o quarto.

Acho que sorri e a segui pela casa.

VITORIA LORDEIRO
Sou tímida ao extremo mesmo parecendo ser alguém extrovertido, Amo MPB (coleciono discos); não assisto televisão , nunca. Escrevo sempre tentando decifrar a alma masculina. Amo café, ler e ficar vendo receitinhas na internet.  Prefiro livros a festas. Amo comidas estranhas, quanto mais esquisita e nojenta mais eu gosto. Choro vendo ursinho Pooh e sempre torci para o Frajola.  .

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