O amor é brega. E quem não é?

sexta-feira, 17 de março de 2017

AMAR É FÁCIL. O DIFÍCIL É DEIXAR-SE AMAR.



Eu já tive muitos amores eternos. Cada um terminou por algum motivo plausível, mas todos foram intensos, eternos, verdadeiros. 

Foram amor! 

Cada um me trouxe um conhecimento, me moldou para eu ser o que sou hoje. E com eles eu aprendi que antigos amores não são sinônimo de um passado que não deu certo. No meu dicionário, significa que deu certo pra caralho, que me ensinou muito sobre o outro e sobre eu mesma. Sobre dividir os meus dias com alguém diferente de mim e multiplicar sorrisos, beijos e abraços. 

Meus antigos amores me ensinaram a amar. A amar sem temer. A amar sem me sentir vulnerável depois de um "eu te amo" ou de uma ligação às 3h da madrugada só pra dizer que estava com saudades. 

Meus antigos amores me ensinaram a amar sem esperar nada em troca, pois aprendi que expectativas frustram e me fazem criar uma pessoa ideal que não existe. Agora eu quero mesmo é conhecer alguém no seu íntimo. Saber seus medos, sua história e seus amores, suas nuances e defeitos. Suas cores.

Afinal, amar é fácil. O difícil é deixar -se amar. 

Assim como os heróis de Cazuza, alguns dos "grandes amores da minha vida" morreram de overdose, causada por uma droga chamada silêncio. Se tornaram estranhos com quem eu dividia a mesa do café - e já não sabia se uma colher de açúcar era o bastante ou não. Tudo fica amargo. É assim que o labirinto se forma pra mim. É assim que eu me perco em quem eu deveria me encontrar. A falta de conversa priva o ser humano de conhecer sonhos, desejos, medos... Até que chega um ponto em que já não o reconheço mais. Poxa, logo eu que sou de Humanas, que amo a comunicação e me delicio com a simples possibilidade de ouvir histórias sobre você ? Logo eu que sou toda ouvidos e emoção ? Que sou a interessada. Logo perco o interesse.

Se eu não conheço as dores e as delícias de quem amo, cada dia mais vou me questionar o porquê eu o amo. E o questionamento me traz incertezas, dá margem para o desencantamento, é aí que mora o perigo. 

Eu sou do tipo de ser humano que tem a necessidade de se apaixonar pela mesma pessoa há cada dia, que gosta de descobrir manias e histórias e se apaixonar por elas. De sentir que mesmo em silêncio estamos trocando confidências. De olhar nos olhos e pensar "Meu Deus! Como é bom estar com ele". Se esse encanto morre, eu já não encontro motivos para ficar. 


E assim como aprendi a amar sem temer, eu não temo dizer que já não te amo mais.

JÔ LIMA
Uma eterna nômade, facilmente encontrada em livrarias e sebos, que vive arrumando a mala sempre que pode e afirma com todas as letras que o amor é o único sentimento que não some do mapa. Se apaixona por estranhos no metrô e ama bandas que ninguém conhece. Trocou o verão do Maranhão pela garoa de São Paulo, percebeu que ser gente grande é complicado e por isso leva a vida com um jeito de menina, sempre que pode se refugia em um mundo paralelo de séris, filmes e Jeunet, livros de Fante e brigadeiro. Acredita ser jornalista e trabalha com marketing, é autora de livros infanto-juvenis e dá conselhos amorosos em mesas de bares da metrópole.

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