O amor é brega. E quem não é?

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

VOCÊ ME FEZ MUDAR DE PLANOS


"Metódica". Era assim que meus amigos costumavam me chamar... Aquela que seguia a risca a rotina e tentava não falhar em nada para evitar as decepções que observava com a vida dos outros. 

Eu costumava acordar sempre no mesmo horário, fazer as mesmas coisas e planejar tudo, exatamente tudo, acredite! Eu imaginava manter o controle quando organizava as ideias e fazia questão de cumprir compromissos e a ordem estipulada por mim mesma. No fundo tinha medo de sair dos trilhos, de perder a hora, de comer fast food no meio da semana e me sentir como se estivesse acabado de cometer um crime. Eu era do tipo que não me arriscava pra não me envolver entende?

Do jeito que evitava o novo por receio de não ter ou ser o de sempre, eu não queria casar, filhos nem pensar e pra falar a verdade, me tremia só de pensar nessa coisa de almoço em família, sogros, cunhados, etc. Era de suar frio, de revirar os olhos toda vez que alguém perguntava ou falava de constituir família ou arranjar um par pra mim. Eu nem me sentia velha como minhas amigas solteiras, tão pouco me desesperava só porque não tinha o carinha certo pra ligar nos momentos de carência e que elas juravam ser amor. Não imaginava de forma alguma seguir essa cronologia de me apaixonar, namorar e casar, nunca julguei quem sonhava acordada e suspirava com os filmes dos Nicholas Sparks. Eu até li alguns livros dele e achei bem bonitinhos! Mas não era pra mim não! Ah, não mesmo!!!! 

Eu gostava de não ter que me dividir com ninguém, me assustava o fato de pensar que eu teria que escolher um lado da cama pra dormir, não sabia lidar com alguém o domingo inteiro comigo, sentado no sofá depois de me ajudar a lavar a louça do almoço e discutir por algum programa que eu quisesse assistir na TV. 

Eu não me dei conta do quanto me pus em perigo quando você chegou para trabalhar no mesmo setor que eu; quando eu, profissionalmente, fui designada a te passar o necessário e que dividiríamos as decisões mais importantes que nos cabia. Onde eu estava com a cabeça quando aceitei aquele chope? Eu passei a me preocupar mais com meu cabelo, eu quis comprar roupas novas pra ir trabalhar, quem era essa pessoa?! Onde eu fui parar?!

Os convites se repetiram por sextas-feiras seguidas e a cada saída eu voltava mais tarde pra casa e pensando mais em você. O quão louco você foi para aparecer lá em casa de repente, num domingo chuvoso e logo quando eu me sentia tão confortável de moletom cinza?! Eu pedi pizza mas entregaram amor! Eu jurava que estava o menos arrumada possível naquele dia, mas me senti a mais desejada quando, sem se importar com nada, você me deu um beijo e perguntou se podia entrar. Enquanto me beijava eu me sentia flutuante, me envolvia no seu abraço e, ali, parecia o meu lugar.

Você me fez mudar de planos! Agora eu consigo pensar no nome dos nossos filhos e acho essa casa pequena para quatro pessoas, você também? Até curto fazer compras e ver sua desenvoltura na cozinha me faz muito feliz, mas eu já engordei dois quilos com essa coisa toda. Não esquece que nesse domingo o controle fica comigo, combinamos assim, pra não dar briga. 

À propósito amanhã a gente completa 2 anos juntos, o que faremos no jantar?!

JOANY TALON.
Pra quem acredita em horóscopo é Canceriana, nascida em Araruama no dia 15 de julho de 1986, assistente social pela Universidade Federal Fluminense, e agraciada por Deus pelo dom de transformar em palavras tudo que sente, autora dos livros “Cotidiano & Seus Clichês” e “Intrínseco” e co-autora no livro “Pequenices Diárias”

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