O amor é brega. E quem não é?

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

O TEMPO E EU

argenta

O mundo estava acordando. Era um novo dia, mas pra mim ainda era ontem. Me recusava a aceitar a virada quando ainda não tinha ido dormir, mesmo que o relógio tivesse razão. Eu o olhava. Ele me olhava. Amanhecia e fazia frio. O calendário marcava sábado. Eu ainda vivia a sexta-feira. Por algum motivo me agarrei a isso. Enquanto eu não dormisse o tempo se congelaria? Eu sabia que não e o sono já me cutucava as costas sem a menor das delicadezas.

Só que considerando que ele mesmo, o tempo, vinha sendo meu maior inimigo nos últimos tempos, ficar acordada parecia uma vitória. Eu não envelheceria. Sem rugas. Sem cabelos brancos. Sem responsabilidades. Sem decisões importantes a tomar. Sem futuras decepções. Sem fracassos. Sem lidar com a necessidade de amadurecer a força.

Tudo estava perfeito. Eu só precisava me manter acordada. Simples assim. Fácil assim. Olhei para as horas marcadas no cantinho do computador e revirei os olhos. Isso não significaria absolutamente nada de agora em diante.

Levantei. Fiz um café. Dei bom dia pro sol. Comecei a refletir como perdíamos uma infinidade de coisas por sermos limitados por coisas que não podíamos mudar. Se eu não precisasse dessas malditas oito horinhas de sono, escreveria muito mais, viveria muito mais.

Mas, como uma boa pessoa preguiçosa, além das oito horas básicas eu durmo mais uma eternidade. Ok, culpa minha. Pode me algemar. Não sou inocente. Como já fiz antes — e como muitos fazem — coloquei a culpa em outro.

O tempo não tem tanta culpa. É claro que, pra mim, às vezes, ele agride. Passa mais rápido do que eu gostaria e isso me gela o estômago. Acredito que, com o passar dos anos, nos daremos bem e eu já não o olhe torto, já não lute tanto, talvez sejamos até amigos. Um cerveja, um café, um sorriso.

Quem sabe ele seja bonzinho, colabore comigo e não seja mais tão apressado. Mas ele tem sido duro hoje, como nos outros dias, e eu perco a batalha. Me jogo na cama, fecho os olhos, durmo. Boa noite, nos vemos daqui 14 horas.


TATIANE ARGENTA.
20 anos, paulista. Escritora de bar e cafézinho, romântica incorrigível que tem tanto medo do futuro quanto você. Inúmeras incertezas e conflitos no peito como qualquer um, mas que sabe por isso no papel. Assim como outros sabem cantar.

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