O amor é brega. E quem não é?

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

FEITO TATUAGEM

magda-albuquerque

Te encontrei e, tão logo se deu o encontro, teu cheiro, tua pele e teu toque ficaram marcados em mim feito tatuagem, de um jeito intenso, como se sempre estivesse ali e como se já fizesse parte de mim. Não é pretensão alguma, mas ouso dizer que, desde o primeiro instante, não permitistes que nenhuma outra imagem se tornasse evidente, a não ser o que tu trazias à minha vida.

Fui me acostumando com essa novidade que logo se acomodou, colou em mim, em minha alma, minha pele. Já não havia um eu distante desse tu que chegou fazendo morada, revirando tudo, cravando teu lugar, sem demoras. Não entendo muito bem em que momento tudo se tornou tão efetivo assim, tão bem definido e claro, mas foi natural, como se, ao nascer, tudo já fosse assim. De alguma forma renasci, renascemos e renovamos a alma travestida de dores para uma nova — de cores, símbolos e sonhos novos e inteiramente verdadeiros, perdurando por um tempo infinito.

Eu que estava acostumada a ser só. Pele limpa apesar do desgaste do tempo e histórias passadas, deixei que fosse tu a deixar marcas em mim. Senti que era a pessoa e o momento certo, que passei um bom tempo da vida a pensar se um dia conseguiria tatuar, deixar ficar pra sempre. É que eu temia me arrepender e não poder mais me desfazer das marcas que ficassem. Mas ao chegar, tu fizestes tudo tão distintamente, que eu nem percebi e já estavas completamente em mim, em meu corpo, em minha vida.

Hoje olho para a minha história, que está na pele, e te vejo em cada curva, em cada cor, em cada suave marca registrada pelo amor que existe em nós. Te vejo tatuado no peito, na alma, no pensamento. Te vejo em cada passo, cada gesto, cada plano e sonho. Te vejo em tudo, e não esperava que fosse assim, nem nos maiores sonhos e planos que já ousei fazer um dia, e olhe que de sonhos eu entendo bem, pois eram eles que alimentavam o silêncio da solidão que vivi por tanto tempo.

Abri o coração disposta a deixar a vida acontecer, e me trazer o que fosse predestinado a mim, ou que eu atraísse, ou que outra lógica pudesse justificar como se dão todos os acontecimentos da vida. Ao deixar leve, o coração tão logo se deixou encantar-se pela calmaria do teu, que de um jeito tão leve, transpira intensidade. Aprendi nesse encontro que não tem nada maior que a entrega e tudo o que nossa vida deixa acontecer, ao permitir, com leveza, que se aproxime o que fizer sentido à vida e a todos os outros sentidos que estão em nós.

E como não tem outro jeito, te deixo ser em mim uma marca de infinitude, porque ao me permitir te deixar chegar, abri um novo espaço para o amor que era tão esperado, mas não sabia sobre nada dessa intensidade que faz o coração acelerar e ficar miúdo para o tanto que há entre nós. Não há como ser diferente, és agora tatuagem, em mim, em minha vida, e não há de apagar. Amor inteiro assim não se desfaz, não perde cores, nem se deixa esconder com o passar dos anos, é sempre novo, sempre colorido, vivo e visível.


MAGDA ALBUQUERQUE.
Magda Albuquerque. 26 anos. Prolixa. Psicóloga. Mistura realidade e fantasia em um encontro com a sua criatividade. Sempre em busca de tornar os dias mais leves com uma palavra ou outra, tentando organizar o próprio mundo. Escreve para organizar o próprio mundo, com a missão de colorir a vida - a sua e de todos.

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