O amor é brega. E quem não é?

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

DEIXA EU TE LEVAR NO PEITO, MOÇO

gabrielle-roveda

Faz tanto tempo, moço. Tanto tempo que te carrego aqui dentro e te aqueço dia após dia no calorzinho do meu coração, cultivando o carinho que ainda guardo em mim. Deixa eu te levar no peito sem compromisso ou cara feia, deixa eu te guardar como quem guarda uma lembrança dentro de uma caixinha e acaba esquecendo num canto do guarda-roupa. Não que eu queira te deixar a pegar pó, mas quero te levar comigo para onde quer eu vá. Não importa o destino, quero ter uma parte de ti, nem que seja simplesmente a lembrança daquele teu sorriso meio bobo. Quero te levar comigo a conhecer novos horizontes, a viver novas coisas.

Deixa eu te levar no peito, moço. Deixa eu te levar de mãos dadas para onde eu quiser ir. Te conduzir nos labirintos dos meus pensamentos e te perder entre meus dedos só para poder te encontrar com olhar ansioso novamente. Deixa eu te levar para longe, para um deserto qualquer e te curtir entre uma paisagem nada diversificada de areia e calor, deixa eu te levar para o mar e mostrar que, se eu pudesse, moraria no abraço de uma onda e deixaria você adormecer no meu abraço. Deixa eu te mostrar o meu mundo cheio de metáforas cafonas e clichês quase sempre não ditos, deixa moço?

Vem cá moço, deixa eu te fazer um cafuné e contar as travessuras do meu mundo. Deixa eu te colocar no colo e brincar com a pontinha da tua orelha enquanto canto, com um encanto desafinado, aquelas nossas músicas. Deixa eu te dizer que juntos somos um só, que juntos podemos mudar os astros e encarar a vida de maneira mais fácil. Vem, só me dê a sua mão e eu juro que podemos enfrentar todas aquelas pedras no caminho. Deixa eu te levar na bagagem da minha loucura e te fazer entender que, de certa forma, você é meu porto seguro e sem te ter ao meu lado eu não irei tão longe.

Deixa eu te trazer para o meu mundo e mostrar que eu sou essa menina estranha mesmo, que você não se enganou quando pensou que haviam parafusos frouxos em minha cabeça. Deixa eu te apresentar meu café amargo, meu mau humor logo cedo e minha mania por comer fruta no café da manhã todos os dias. Deixa eu te posicionar na minha vida como um alguém que conhece minhas birras e está presente para não suportar meus ataques de raiva uma vez por mês. Deixa eu te mostrar que sei fazer o melhor almoço do mundo e que nenhum fast-food vence minhas receitas de youtube. Vem para eu te mostrar que além de orégano, meu tempero favorito é a tua presença. Vem cá, divide suas manias comigo, o cômodo, a vida e principalmente, o coração.

Deixa o orgulho de lado e confessa que me quer juntinho a você, mesmo com toda essa insegurança de que talvez não dê certo. Mesmo com essa desconfiança que as decepções já geraram, vem e confia em mim, confia em nós mais uma vez. Deixa eu te proteger do mal do mundo, deixa eu ser teu porto seguro quando o mundo começar a desabar. Vem que eu seguro as tuas lágrimas e ao meio delas te arranco sorrisos sinceros, vem para eu ver teus olhos brilharem ao ouvir os pingos baterem no teto, para eu ser teu apoio no encosto da janela enquanto vislumbramos a tempestade ir embora e o sol nascer no horizonte. Deixa eu te dar um beijo de boa noite, de bom dia e de meio da tarde se for necessário. Deixa eu confortar meu coração no teu peito enquanto a noite cai, passa e vai embora.Vem ver o pôr do sol comigo, na praia ou no caos da cidade. Vem, moço.

Deixa eu me redimir, me desculpar pelos maus entendidos e pelas falsas promessas que um dia já fiz. Deixa eu ser uma criança cheia de maturidade e uma adulta imatura do teu lado. Deixa eu ser eu mesma, sem inibição ao teu lado e vem ser o mesmo. Deixa eu te mostrar que você nunca estará sozinho se estiver em meu coração, se morar aqui dentro dessa bagunça que sou eu. Deixa eu te levar no peito, moço, enquanto continuo, apenas em palavras, afirmando o quanto há de você aqui.


GABRIELLE ROVEDA.
1997. Escritora de gaveta, bailarina por paixão, sonhadora sem os pés no chão e modelo só por diversão. Do tipo que vive mais de mil histórias pelas páginas dos livros, daquelas que quer viajar o mundo só com uma mochila nas costas, do tipo que acredita no amor a todo custo e dispensa de imediato pessoas sem riso fácil. Não sabe fazer nada direito, mas insiste em acreditar que o impossível é só uma daquelas palavras que vão cair em desuso e se vê tentada a tentar de tudo. Viciada em café e em escrever cafonices sobre si e o amor sem dizer nada ao certo.

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