O amor é brega. E quem não é?

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

PRECISO ME DESINTOXICAR DE VOCÊ!



Te prendi tão forte no meu peito que já se tornou parte de mim. Agora pra te tirar vou sangrar, doer, levar tempo até o coração cicatrizar, reaprender a bater sem você!

Engraçado que era tão estranho pensar que alguém pudesse morar no outro assim, a ponto de doer a falta, de machucar a ausência ou tornar difícil viver sem a pessoa no dia a dia, sem a rotina que combinava meias espalhadas no chão do quarto, a caneca do ”Barça” empoeirada dentro da caixa na mesa de cabeceira, que me fazia ter crises a cada limpeza feita na casa ou até o surpreendente macarrão gravatinha, com molho de manjericão, toda vez que eu saía tarde do trabalho e falava, mal humorada, que naquela noite não ia ter nada pra jantar.

Complicado aceitar que mesmo te amando eu não te quero por perto. Todos os planos juntos deixaram de fazer sentido desde que percebi que só o amor não basta, que a vida tem que ser construída degrau a degrau no mesmo passo e compasso, mas tudo exigiu mais do que nosso ritmo contrário pôde dar. Não tem a ver com gostar do Oasis e achar digno guardar a grana do guarda-roupa novo pra ir ao show, num ato orgulhoso, e há quem ache irresponsável de quem não se importaria em deixar tudo encaixotado por mais alguns meses.

Eu te mantive tão junto de mim que entorpeci seu jeito, suas manias e me expulsei do meu próprio corpo, te preferi a mim. Até agora! Espero que não seja tarde, mas nessa loucura toda que foi te viver eu precisei de mim, tentei me achar quando nada nem ninguém a minha volta saciariam a minha necessidade de trocar ideia comigo mesma. Sorte a minha!!! Ainda restava algo a resgatar, alguma coisa que pudesse me trazer de volta, me restabelecer. Eu amo você, mas não preciso me perder pra isso acontecer, entende?!

Cheguei a sufocar tua alma, encarcerei sua vida num mundo que era só meu e tenho certeza de que não estava bom. Depois daquele nosso papo pesado eu pude ver o quanto um sentimento, mesmo que bom, se exagerado ou sem dosagem, pode ser nocivo, sofrer mutação, asfixia, insuficiência pra respirar o outro na relação! Isso foi doloroso e esclarecedor, cheio de desabafos desagradáveis e necessários, que machucaram, mas foram verdadeiros à ponto de tornar inocente qualquer tropeço ou gesto dado na tentativa de obter sucesso ou de tornar quem escolheu ficar do nosso feliz.

Sei que o preço pode ser o tempo passar devagar demais até eu me recuperar, me curar, me aceitar com o vazio deixado com a sua partida quando decidi me reencontrar. Quem sabe, na minha própria companhia eu consiga de fato dar valor à sua.

JOANY TALON.
Pra quem acredita em horóscopo é Canceriana, nascida em Araruama no dia 15 de julho de 1986, assistente social pela Universidade Federal Fluminense, e agraciada por Deus pelo dom de transformar em palavras tudo que sente, autora dos livros “Cotidiano & Seus Clichês” e “Intrínseco” e co-autora no livro “Pequenices Diárias”

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