O amor é brega. E quem não é?

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

ME ESQUECI EM VOCÊ.


A estante não é mais a mesma, e nem o papel de parece do meu celular é o mesmo. E talvez eu também não seja mais o mesmo. Os livros na cabeceira da cama foram substituídos e pintei as paredes de branco — porque entendi que azul me deixava triste. Aquele meu tênis surrado já nem existe mais e eu nem bebo mais café naquela xícara com um poema do Leminski na lateral. O caminho que eu faço pra ir pro trabalho agora é um pouco longo, mas eu preciso te contar que nunca mais me atrasei. Lembra daquela pulseira? Pois é... Não me recordo onde guardei.

Depois que você decidiu "tomar o seu rumo" eu também decidi tomar alguma coisa. Mas no meu caso foram os mais variados drinks de cada bar que eu fosse. Tomei várias vezes durante a semana e em algumas vezes eu sequer vi a luz do dia. Acho que isso é "menos pior" do que você fez, que depois de tomar o meu mundo resolveu "tomar seu rumo".

Não sei se você sabe, mas essas decisões de ultima hora afetam a vida das pessoas. E você afetou a minha.

Eu não consigo te olhar com os mesmos olhos, mas ainda to te esperando voltar e fazer o que você faz de melhor. Mas se tudo o que você sabe fazer é partir, porque não ficou só um pouco mais? Se mentir é o que sabe fazer de melhor, porque não fica e diz que me ama um pouco mais? Então, se tudo o que você sabe fazer é me machucar, porque não me machuca um pouco mais?

Confesso que andei me desfazendo de algumas coisas. Aquela estante velha que você tinha mania de organizar, eu vendi pra alguém que eu já nem me lembro quem. O papel de parede do meu celular não é mais aquela foto nossa no parque. Doei pra um adolescente qualquer aquelas suas indicações de livros que sempre ficavam na cabeceira da cama e as paredes naquele seu tom de azul preferido agora estão no tom de branco neve, porque azul me lembrava você e você era a minha tristeza. Aquele AllStar que você sempre elogiava foi pro lixo e joguei na parede aquela xícara que você me deu na comemoração dos nossos três meses juntos. Lembra daquela pulseira que você me deu no nosso primeiro encontro? Joguei-a pela janela, numa tentativa frustrada de jogar tudo o que eu sentia por você.

Na verdade to te escrevendo não só pra dizer como as coisas mudaram, e sim pra dizer que esqueci algo meu aí com você. Não sei se foi uma camiseta, aquele meu anel favorito ou até mesmo aquele meu moletom cinza. Não sei se foi um livro ou uma agenda. Eu sei que esqueci algo meu aí com você e trouxe a saudade pra casa.

To te escrevendo pra te lembrar que nós poderíamos ter tido muito. Nós poderíamos ter tido tudo, mas não tivemos nem amor.


BRUNO FIGUEREDO
Poeta e Escritor. Capricorniano com ascendente em Paulo Leminski e lua em Tati Bernardi. Fã de ficção cientifica e de romances clichês. Dono do pseudônimo @sujeitoeu. Escrevo, mas escrevo sobre mim, e nem sempre sou só amor..

4 comentários:

  1. Amei os detalhes do primeiro parágrafo. Xícara do Leminski mais sua cara impossível. E o amor é exatamente isso. Esses detalhes difíceis da gente esquecer.Parabéns pelo texto, Bruninho!

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    1. AAAAAAAAAAh
      Obrigado, Suh!!! Sabe que sou seu fã, né? ❤

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  2. É que quando a gente ama, a gente soma e é só quando termina que a gente percebe o quão dolorido é subtrair alguém de nós. Querendo ou não pedaços de nós mesmos ficam pra trás. E foi isso de uma forma linda que seu texto me proporcionou. Parabéns Bruno, melhor estreia que essa impossível. Ansiosamente aguardo os próximos tiros. ❤

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    1. VOCÊ AQUIIIII!!!
      Obrigado por comentar e pelo apoio que vem me dando nesse ultimo ano!!
      Em breve tem mais tiros diretos no coração! hahahaha ❤

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