O amor é brega. E quem não é?

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

ME AVISE QUANDO ESTIVER DE PARTIDA.



Deixe um bilhete debaixo da porta, ou no criado mudo — quando sair pela ponta dos pés no meio da noite. Mande uma mensagem, uma carta, fique dias sem me procurar, e eu entenderei.

Pare de me olhar com esses olhos grandes, pare de se aproximar do meu corpo respirando fundo. Pare de morder o lábio inferior quando estiver falando comigo. Não importa de que forma, mas me avise quando estiver de partida. Coloque minhas mãos em cima do teu peito pra que eu repare na normalidade das tuas batidas, me mostre a distância que nos atingirá quando ela começar do lado de dentro.

Me dê tempo de entender como será o futuro sem você.

Eu sou porta entreaberta, sou amor solitário que não cobra dias a mais. Você pode ir tranquilo. Só peço que me avise quando seus passos estiverem em outra direção. Não precisa me dar motivos, não precisa dizer adeus, não precisa se comprometer a mandar noticias. Só me dê um sinal de que eu devo seguir sem a espera de um abraço, de dedos se tocando como se o tempo estivesse sempre a nosso favor.

Eu não vou insistir pra que fique porque não há maior prova de afeto do que o espaço que te concedo. Eu não vou insistir em um amor do qual você desistiu, mesmo sendo dono dele. Mas me avise quando estiver de partida. Sair da vida de alguém sem nenhum sinal é coisa de quem não é de verdade, de quem não consegue respeitar o que o peito diz, de gente que se a gente soubesse que age assim, não iriamos nunca baixar a guarda, abrir a porta, mostrar a alma.

Não é por amor. É por respeito. É pela nossa promessa de tentar ser um pouco mais humano. 


ANA CAROLINA SOUZA.
Jornalista por indução do destino, são paulina por carma. Apaixonada por gatos, praia, livros, carnaval, coca cola e umas delícias a mais. Aquariana com ascendente em áries. Tia babona. Mulher forte e chorona. Menina boba, dessas que escreve para não explodir e ainda acredita no amor.

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