O amor é brega. E quem não é?

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

JÁ PASSOU DA HORA DA GENTE CONVERSAR


Vem cá, tem um tempinho? Já passou da hora da gente conversar sobre o que ainda se passa dentro de nós. Pode tirar essa máscara para que eu possa enxergar tudo aquilo que tanto se esforça para esconder. Não precisa ter receio mais, agora somos só nós dois por aqui, já pode parar de fingir. Eu sei o que se passa aí dentro, você até consegue enganar o mundo, mas te conheço o suficiente para saber que teu coração apenas camufla o sentimento. Não precisa alterar a voz, cala essa boca e me diz só com o olhar quem era você até me encontrar? Se agora é tão diferente, o que foi que eu fiz que te fez mudar? Não nega que sente minha falta tanto quanto eu consigo sentir a tua.

Ainda lembro dos teus lábios tremendo ao sussurrar um "eu te amo" entrecortado e da merda toda que fazia meu coração se derreter logo depois. Então, me diz que é mentira, que nunca saiu da minha vida, que não passa de uma farsa quando falam que nosso amor morreu. Tira o cabelo da cara, me diz que é outra brincadeira do destino para me fazer prestar atenção nos erros frequentes. Não diz que não há lembranças querendo ser revividas, pois sei que há muito mais além do fim.

Joga essa máscara de lado e já pode tirar essa roupa que serve de barreira entre nossos corações para que eu possa ver que não há arma por trás das tuas palavras. Não há um gatilho esperando pelo movimento certo, se entrega a si mesmo e permita que eu te veja novamente sentir sem medo. Não vou te usar contra ti, não precisa segurar a montanha-russa que desanda aí dentro. Eu sinto a tua tensão, sinto teu corpo andar fora de compasso com teu coração, te sinto minuto a minuto perder o controle.

Diz para mim, sem culpa, que quis me ver feliz, não com outro e sim contigo. Confessa que em buscas infindáveis quis me encontrar em outro alguém, quis minha versão qualificada em outro corpo por aí e não encontrou nada tão confuso que te fizesse sentir como eu já te fiz. Desfaz esse muro rígido que construiu ao teu redor, deixa eu enxergar sem tanta dificuldade o que eu já consigo ver quase de forma nítida. Não precisa esconder de mim aquilo que conheço em ti tão bem.

Prende teu olhar ao meu por mais de alguns segundos e prova que eu não mexo mais contigo, não adianta desviar para o lado, ainda consigo ver o brilho engaiolado do teu sentimento fluir. Não é para mim que está mentindo, não sou eu quem tenta enganar. Confessa para si que aquela música ainda te faz chorar, que volta e meia em madrugadas de insônia já me quis para abraçar.

Assisto aos teus passos como um espectador num balé, te sentindo inalcançável. Não deveria ser assim, não acho que fomos feitos para estar distantes. Tem algo aqui dentro que não me deixa descansar desse amor meia boca, uma voz insistente que não me deixa abandonar hipóteses incertas.

O grito contido no teu travesseiro ecoa a cidade inteira, o zumbido que me incomoda faz eu te ter por perto enquanto se nega a sentir saudade. E eu te aconchego num cantinho só para dizer que está tudo bem, só podendo enviar minha esperança de volta. Minha maldita esperança nesse romance inacabado que parece não querer morrer. A verdade demora, mas não vai deixar de chegar. Vivemos nessa realidade dura de encarar: sendo concreto por fora e essência por dentro. Não haveria o que despedaçar se não houvessem tantos muros criados.

Por favor, desacopla dessa caixa rígida, permite que a tua alma sinta o que o teu coração quer expressar. Já me enganei tanto que hoje cansei das tentativas rudes de viver numa mentira, esqueci a vontade de tirar da minha vida o que insiste em não sair. Eu escolhi te amar, com todos os prós e contras. Vai por mim, não precisa inibir nada por medo de se machucar, é libertador quando não se precisa de compromisso para poder amar. Vem cá pertinho? Se permite agir em prol do teu coração, ainda sinto tanto a tua falta.


GABRIELLE ROVEDA.
1997. Escritora de gaveta, bailarina por paixão, sonhadora sem os pés no chão e modelo só por diversão. Do tipo que vive mais de mil histórias pelas páginas dos livros, daquelas que quer viajar o mundo só com uma mochila nas costas, do tipo que acredita no amor a todo custo e dispensa de imediato pessoas sem riso fácil. Não sabe fazer nada direito, mas insiste em acreditar que o impossível é só uma daquelas palavras que vão cair em desuso e se vê tentada a tentar de tudo. Viciada em café e em escrever cafonices sobre si e o amor sem dizer nada ao certo.

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