O amor é brega. E quem não é?

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

EU FIZ NEVAR AÍ?



Me lembro do nosso match no Tinder.
Eu sorri.
E você me disse “oi, gostei do seu perfil”.
Sorri de novo.
Me lembro da primeira vez que nos vimos.
Você sorriu, e me desmontou.
Demorei horas pra me recuperar.
Me lembro do abraço que durou mais de cinco segundos e de, depois, te contar sobre a minha teoria de que pessoas que se abraçam por mais de cinco segundos são as que mais se gostam.
Lembro da gente, sentados na varanda, fazendo alguns planos para o futuro e de como o sol batia no seu cabelo e refletia uma luz adorável.
Você também se lembra?
Me lembro do beijo no pescoço e do sorriso bobo.
Você foi a pessoa mais incrível que quis me conhecer de verdade nesse meu ultimo ano de descobertas.
Mas hoje de manhã eu pensei em ir embora.
E eu fui embora.
Eu me despedi, e você disse que nevou aí.
Eu tentei te ensinar como conquistar outra pessoa do mesmo jeito que você fez comigo porque eu sempre soube que o que eu tinha pra oferecer não era o suficiente pra levar a gente pra vida toda.
Tentei não te mostrar o meu amor pelo Leminski e tentei não cantar Marisa Monte bem baixinho enquanto você me olhava. Tentei não te dizer que Gogh ficaria puto da vida ao saber que você faz desenhos mais incríveis com a boca do que ele fazia com os pinceis. Tentei não levar a gente alem, porque eu sabia que não seria suficiente.
E eu me despedi, e você disse que nevou aí.
Mas só não esquece que depois que o inverno passar, a primavera vai chegar.
E eu to indo, mas sei que algo ainda florescerá aí.
Confesso que ainda tem algo aqui. Mas não é o suficiente. Não pra você.
Me desculpa por bagunçar você.
Me desculpa por não mais abraçar você.
Desculpe por não receber o que você tem pra dar.
Juntei tudo o que era bom de nós, e coloquei em uma parte especial da minha vida.
To escrevendo isso sabendo que no fim essa neve vai passar. E seja lá como o fim for, vou indo só desejando que só haja amor por onde a gente for.
Me desculpe se eu fiz nevar aí.
Mas eu te amei, espero que você se lembre disso também.

BRUNO FIGUEREDO
Poeta e Escritor. Capricorniano com ascendente em Paulo Leminski e lua em Tati Bernardi. Fã de ficção cientifica e de romances clichês. Dono do pseudônimo @sujeitoeu. Escrevo, mas escrevo sobre mim, e nem sempre sou só amor..

2 comentários:

  1. To chorando! Me lembrou um trecho de Zero do Liniker "Peguei até o que era mais normal de nós..."

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  2. "E coube tudo na malinha de mão do meu coração" hahahahahaha <3

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