O amor é brega. E quem não é?

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

VOCÊ NÃO ME QUIS MAIS.


Depois de lutarmos tanto nos rendemos ao velho clichê "não era para ser". Era. Você só não quis mais. Não me quis mais. Mudou os planos, a trajetória e resolveu que seguiria no caminho oposto ao meu.

Pensei em te procurar, insistir no que você disse que não tinha jeito. Mas apenas fiquei mudo. Feito um idiota, com as mãos no bolso do meu jeans rasgado. Só conseguia pensar que minhas palavras,agora, não teriam peso nenhum. Você costumava dizer que nossos destinos já estavam traçados. Então, não importava o quanto fosse bonito o que eu dissesse, nada te guiaria de volta.

A unica coisa a fazer era guiar a mim mesmo. Me levantar do buraco e suportar os dias péssimos, mesmo me sentindo corroído pelo que não disse e pelo que não fiz. Por não ter conseguido te fazer ficar.

Tudo tem estado quieto demais desde que você se foi. Cada toque no celular é um disparo no peito e uma decepção depois, quando a tela não mostra seu nome. Mas eu tenho conseguido te esquecer um pouco todo dia. 

Não sei como tudo tem estado por aí, nunca mais recebi notícias. Algumas vezes te observei de longe, vi sua boca ao encontro de outras. Disse adeus sem você notar, pensando se era mesmo pra ser assim ou se só faltou um pouco mais de garra. 

Eu nunca quis te desconhecer tanto. Os seus segredos eu já não sei mais, sua rotina mudou e eu fiquei para trás, junto com as coisas que você amava fazer e hoje não participam da sua vida.

Depois de meses nossos, minha casa parece terrivelmente vazia sem a sua bagunça. Por muito tempo mantive seu livro de cabeceira ao lado da minha cama e, por alguns segundos antes de dormir, olhar para aquele livro era como se você já já fosse deitar também.

Abro a geladeira às 3:04 da manhã e não consigo dormir, com esperança de você estar acordado e resolver ligar dizendo "senti sua falta hoje". Porém era apenas eu quem sentia uma falta absurda de nós e só eu que precisei de muita força para não te ligar. 

Eu devia ter aceitado fugir dessa cidade quando você sugeriu que aqui era pequeno demais para todos os nossos sonhos.

Ou ter pelo menos pedido, por favor, não atravesse a porta sem que antes eu memorize seu rosto, assim tão leve e corajoso. Eu não saberia dizer se alguma vez você se sentiu assim do meu lado. Minha cabeça tem me pregado peças e eu perdi a certeza de tudo.

TATIANE ARGENTA.
20 anos, paulista. Escritora de bar e cafézinho, romântica incorrigível que tem tanto medo do futuro quanto você. Inúmeras incertezas e conflitos no peito como qualquer um, mas que sabe por isso no papel. Assim como outros sabem cantar.



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