O amor é brega. E quem não é?

terça-feira, 29 de novembro de 2016

SINTO MUITO, MAS EU AINDA ESTOU DE PÉ.


Apesar dos pesares. Engraçado, uma hora pensei que não conseguiria me reerguer e pouco depois acabei entendendo que não precisava dramatizar tanto. Talvez eu tenha deixado de ser idiota e um pouco tola, ou talvez só tenha adquirido amor-próprio mesmo. Foi difícil, sempre é. A gente demora para ignorar o que o coração não deixa negar.

Você não tem noção da rebelião de sensações que crescia aqui dentro, sempre que eu tinha a oportunidade de cruzar o teu caminho. Era uma guerra interna entre te querer e te afastar, eu nunca sabia bem ao certo como agir. Cresceram diversas sensações e eu matei todas aquelas borboletas que se criaram em meu estômago. Exterminei cada asinha colorida que destacava nossa história, me envenenei por dentro para te tirar de mim.

Não foi fácil, porém ainda estou firme e forte. Levou um tempo danado para superar toda essa minha mania por você e, nesse meio todo, descobri algo valioso: eu. É, eu mesma. De carne, osso, alma e um coração remendado, entretanto: enorme. Eu me reconheci depois de anos, vi além daquela imagem cheia de olheiras no espelho. Vi além das linhas de expressão, ainda leves em meu rosto, das cicatrizes e arranhões que se fizeram marcas. Eu me descobri capaz o suficiente de, sozinha, me amar. Do dedinho do pé ao último fio de cabelo.

Deixei de lado aquelas manias que já tinha pelo tempo necessário para criar outras novas, ignorei o relógio e fiz cada minuto correr para mim e não de mim. Eu me tornei amiga do tempo, não quis que ele curasse minhas dores, quis que me mostrasse novos amores. Eu assumi a postura da felicidade e a cada dia vi no espelho um novo sorriso surgir como recompensa.

Eu sorri verdadeiro, depois de meses de felicidades forçadas e caretas mal ensaiadas num teatro que eu deveria ter chamado há tempos de vida. E viver é tão melhor do que tentar me tornar um marionete da minha própria dor numa existência infinita. Você não sabe, mas te agradeço imensamente por todos aqueles milhares de fatos dolorosos que me ajudaram a chegar até aqui.

Obrigada por ter me feito, com desfeitas, descobrir um amor eterno por quem eu sou. Por descobrir ser aquela da qual você não quer sentir nem saudades, simplesmente para não lembrar do quão bom tudo já foi um dia. É, eu ainda estou de pé e pretendo continuar me reerguendo tantas quantas vezes se fizerem necessárias e o melhor, já compreendi que não preciso mais choramingar tanto.

GABRIELLE ROVEDA.
1997. Escritora de gaveta, bailarina por paixão, sonhadora sem os pés no chão e modelo só por diversão. Do tipo que vive mais de mil histórias pelas páginas dos livros, daquelas que quer viajar o mundo só com uma mochila nas costas, do tipo que acredita no amor a todo custo e dispensa de imediato pessoas sem riso fácil. Não sabe fazer nada direito, mas insiste em acreditar que o impossível é só uma daquelas palavras que vão cair em desuso e se vê tentada a tentar de tudo. Viciada em café e em escrever cafonices sobre si e o amor sem dizer nada ao certo.

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