O amor é brega. E quem não é?

terça-feira, 1 de novembro de 2016

ALGUNS AMORES NÃO FORAM FEITOS PARA DURAR

fotografia: maud chalard

Eu tinha dado um ponto com nó. Eu costurei nossa história cuidadosamente, milimetricamente, repassando cada detalhe. Eternizei a gente em cada conversa, em cada troca de carinho, em cada segredo trocado entre um beijo e outro. Eu cuidei demais para a gente ser eterno, sabe? Então me confunde, insanamente, esse fim tão abrupto que não deu nem tempo de ver de que lado arrebentou nosso laço... E, aqui da janela, mais uma vez, me vejo dando adeus a uma história. Quantos “adeuses” terei que dar até que alguém queira finalmente ficar? 

A gente entra em um relacionamento pensando que é para sempre. Quando eu abri a porta pra você, quando dei as chaves do meu coração, imaginei que você se acomodaria e faria de mim o teu lar. Pensei que seria a tua morada perpétua e que seríamos para sempre um. E, sem mais nem menos, sem aviso prévio, eu te vejo indo embora da minha vida. Olho para as gavetas e vejo espaço demais em contrapartida aos teus vestígios deixados em cima da cômoda. Tudo é tão doloroso, meu amor. Tudo é tão sem sentido. É como se a minha vida tivesse sido uma passagem – uma espécie de ponte –, e você tivesse somente passado por ela. Como quem atravessa uma avenida por pura falta de opção.

Eu fiquei ali, vendo você passar. Carregava nos olhinhos o brilho de um coração apaixonado, e no peito a esperança de você resolver parar e ficar por ali, observando e absorvendo a vida comigo.  Eu quase gritei para que você olhasse para trás, mas não o fiz. O grito ficou entalado na garganta, fazendo companhia para todas as palavras bonitas que um dia te disse, mas que me forcei a engolir de volta, amargamente. Quase não dava para respirar, enquanto vi você riscando as linhas da nossa história, enquanto vi você virando a página do nosso livro – sem sequer me levar contigo. 

É triste olhar para a nossa história e constatar que “alguns amores não foram feitos para durar”. É difícil contemplar os nossos dias, voltar à mente para alguns episódios, sem ter vontade de revivê-los. O que eu faço com as lembranças que martelam, insistentemente, em minha cabeça? O que eu faço com os meus dias que se apequenaram devido a tua ausência? O que eu faço com os milhares de fotos que ocupam 89% da memória do meu celular? O que eu faço com as minhas séries, com minhas músicas, sem você para me acompanhar? O que eu faço com tantos por quês?

São perguntas sem respostas.


MAFÊ PROBST.
Santa Catarina. Escritora, blogueira e engenheira. Praticamente uma hipérbole ambulante. Autora de Saudade em Preto e Branco. Tem dezenas de projetos em andamento e sonha abraçar o mundo. Colecionadora de sorrisos, dentes-de-leão e clichês.


PÂMELA MARQUES.
Pâmela Marques é escritora, musicista e apaixonada. Tem alguns títulos acadêmicos, mas o que realmente importa é que ela vive para arte. É fã alucinada de Roxette, amante de Caio Fernando Abreu e admiradora de Tolkien.

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