O amor é brega. E quem não é?

terça-feira, 22 de novembro de 2016

A MUDANÇA ACONTECE DE DENTRO PRA FORA!


Acabei de acordar e me lembrei que é sábado, não vou precisar levantar apressada pro banho e correr pro trabalho, que droga! Vou ter o dia inteirinho sem obrigações, o que me faz pensar mais do que deveria em você e como tem feito falta na minha rotina. Me lembrei que já sabia de cór, todas as suas manias e gostos. Eu que decorei seus gestos e quantas colheres de açúcar adoçavam seu café, sinto o amargo dos dias que parecem não passar desde que decidimos não ser mais um casal.

Eu amava a gente junto, mas não estava dando mais certo pro amor, e a gente sacou! Pra falar a verdade isso é um porre! Porque o amor ainda existe, mas o que cerca a nossa vida não coincidiu, colidiu. Me remexo na cama na tentativa de acelerar as horas como se algo fosse adiantar, como se pudesse transformar esse sentimento em esquecimento ou, quem sabe, mudar tudo; como se nada ficasse como agora, se ainda fôssemos nós em forma de laço de fita, que dividia as séries e brigava se assistíamos algum episódio separados.

A ducha fria não me esfria a cabeça e tão pouco me fazia esquecer o calor que vinha do seu corpo quando a gente aproveitava o mesmo banho antes de sair pra vida lá fora. Eu sinto o amor querendo rasgar minha boca até ir aos gritos bater na sua casa, fazendo questão de contar que apesar dos percalços ele se sente vivo sendo dado à você. Eu seguro a voz e engasgo peito a dentro, remoo as lembranças e vejo as fotos. Mancho cartas, recados e bilhetes de cinema com lágrimas que involuntariamente escorrem do meu rosto. Tem muita coisa da gente naquela caixinha encapada de papel vintage cheios de selos estrangeiros, de quando fomos juntos na papelaria mais cara da cidade. Tudo porque eu precisava de um envelope azul turquesa e não achava em lugar nenhum, lembra?!

Eu sei que tenho muitas coisas pra ocupar meu tempo, eu tenho dúvidas se quero sair dessa fossa que acabou sendo a única coisa que te deixa presente. Não estou arrependida de ter concordado com o nosso fim, estava insustentável, e a princípio era só um tempo de aceitarmos melhor quem somos e se de fato nos queremos inteiros, mas ando notando que você está bem, voltou a correr e arranjou tempo de viajar com seu irmão, trocou de carro e tirou a barba.

Eu passo a manhã toda rejeitando as ligações que me fazem perceber que há uma vida pra mim também, eu me amortizei nessa coisa que sobrou de nós dois, sem me dar conta de que isso só faz mal pra mim. Feito barata tonta pela casa decido, depois de horas mergulhada na dor, que o melhor é sair um pouco do cubículo que cheira a saudade do que já não pode mais acontecer. Vestida de flores e havaianas brancas sigo em direção ao mar, busco o sol pra me iluminar e energizar do que tem por aí pra me encantar.

Pra ser sincera, eu consigo dimensionar o erro que cometi durante esses 3 meses que voltei a ser só, e o quanto preciso me ganhar de volta pra então me dispor pra outra pessoa, mas creio que muita gente acaba preferindo pagar de coitado e se manter imersos em dores que de fato estão mais em nossas mentes do que em qualquer outro lugar, do que se sacudir, se enxergar e quebrar o vidro que embaça e limita a mudança que acontece de dentro pra fora.

JOANY TALON.
Pra quem acredita em horóscopo é Canceriana, nascida em Araruama no dia 15 de julho de 1986, assistente social pela Universidade Federal Fluminense, e agraciada por Deus pelo dom de transformar em palavras tudo que sente, autora dos livros “Cotidiano & Seus Clichês” e “Intrínseco” e co-autora no livro “Pequenices Diárias”

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