O amor é brega. E quem não é?

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

ÉRAMOS UM SÓ



Além de namorados, éramos bons amigos, pouquíssimas coisas tiravam nossa inquietude, éramos cúmplices. Algumas vezes perdíamos a paciência, mas quem não perde?

Éramos conectados, nos entendíamos através de um olhar. Lembro-me das noites em claro quando um sentia uma simples dor de cabeça. Chegávamos cansados do trabalho e a bagunça da casa nos esperava, mas bom mesmo era deitar no sofá, comer um brigadeiro, e assistir a um filme bem descontraído.

Certa noite chovia e trovejava — eu sempre tive medo v e ele me tranquilizou, fez juras, prometeu estar sempre ao meu lado. Para ser sincera, nunca gostei de promessas, sempre tive medo do futuro e de algumas tramas da vida, mas, tudo bem, o momento parecia oportuno.

Lembro-me da vez em que ele esqueceu a chave no trabalho e ficamos um bom tempo esperando o chaveiro, acho que fiquei nervosa e acabei sendo grossa, mas ele, sempre calmo, falou palavras doces, tentou melhorar a situação, mas nada adiantou. A noite foi tensa e, pela manhã, acordei mais calma. Pedi desculpas. Ele, mais uma vez, abriu os braços e me acolheu.

Se tinha uma coisa que acho que nós não imaginávamos era a separação, éramos unidos, a letra e a melodia, a linha e a agulha, o queijo e goiabada, éramos um só. A nossa relação era intensa, quente e verdadeira. O respeito era primordial, sabíamos respeitar o espaço de cada um, e ainda que dissessem que casal não precisa ter privacidade, nós discordávamos, pois cada um precisava do seu momento de reflexão.

Uma viagem e tudo poderia mudar, ou não?

Vi-me insegura, chorosa pelos cantos, o medo do futuro aparecia constantemente. E se as juras dele fossem por água abaixo? Ele sempre deixava de pé as suas promessas, declarava o seu amor e cumplicidade, Certa noite, tive um sonho estranho, ele partia e não me procurava, mais uma vez o meu medo de promessas apareceu.

O sol raiou, já era o momento de uma conversa. Ele ficaria seis meses em outro estado, era uma ótima oportunidade para ele, estaria abrindo novos horizontes e fazendo o que mais amava. Ele me deu injeções de ânimo, começamos a lembrar dos motivos que nos tinham mantido firmes até então, quais eram os nossos planos, sonhos e desejos, e até quais os nossos medos, para que pudéssemos trabalhá-los.

Os seis meses foram intensos, nos falávamos todos os dias, mantínhamos o nosso respeito, amor e cumplicidade, mesmo distantes. Esses meses serviram para que eu acreditasse no nosso amor,  companheirismo e na certeza de continuar lutando e acreditando juntos.

Quando nos reencontramos, tivemos mais certeza do que queríamos. Queríamos dividir uma vida inteira, sabedoria para lidar com as tramas da vida e muito amor para exalar no mundo. Éramos um só, a nossa ligação era mais que carnal, havia muitos sentimentos ligados. Almas que se conheciam e se reconheciam a cada novo olhar.


KAL LIMA.
Poetisa, uma baiana com a alma no mundo e os pés em um rincão incrustado no Sertão. Sou uma garota-mulher apaixonada pelos encantos que o amor traz. Falo muito, sinto muito, nas palavras encontro o meu cais, é o meu jeito de transbordar.

1 comentários:

  1. Que texto mais lindo kal! <3
    Dá aquela animada nos ânimos do coração!

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