O amor é brega. E quem não é?

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

AINDA LEMBRO O DIA EM QUE TE (des)CONHECI

jo-lima


O dia em que te vi e não reconheci o riso que alegrou meus dias por tanto tempo.

Ainda lembro de ver você virar a esquina e não se dar conta de que já viramos essa mesma esquina juntos muitas vezes, já paramos nela, inclusive. Sentamos naquela mesinha ali do canto, compartilhamos uma cerveja e alguns segredos intimistas, dores, amores e amigos. Lembra quando te apresentei aos meus amigos aqui mesmo? Neste bar? Agora tu passa por ele e nem percebe que o bar fechou, a mesinha se foi, a esquina mudou de cor e só os semáforos permanecem com nossa lembrança. Foi tudo o que restou!

Passa, o sinal está aberto! Tá verde pra você seguir. Eu ainda fico aqui te olhando ir e te desconhecendo cada vez mais. Será que ainda curte Kings of Lion? Friends, terminou o curso de inglês que cê achava tão chato? Será que você ainda dorme no meio dos filmes e alguém — que não sou eu — te cobre com aquele edredom que tinha o nosso cheiro?

São tantas perguntas que até um cego pode ver que nos perdemos um do outro ao virar a mesma esquina.

Ainda lembro do dia em que te desconheci. Foi naquela segunda-feira fria de inverno, quando você atravessou a Avenida Paulista chorando e eu nada fiz, te deixei ir achando que um dia voltaria. Mas você não voltou. Mudou o estilo de roupa, cortou o cabelo e pintou as unhas de vermelho. Não te reconheci assim tão confiante, sem precisar de mim ao teu lado.

Naquele dia eu te perdi. Agora a gente se esbarra naquela que um dia foi a nossa esquina, mas hoje não é mais. Você nem lembra do babaca que eu fui. Se lembra, desconhece quem sou hoje.

Foi um prazer te desconhecer e ver você seguir em frente. Foi bom pra gente. Hoje você é mais independente e eu mais maduro e consciente de que toda mulher merece respeito. Hoje eu não te conheço, mas reconheço os erros que cometi. Obrigado pelo ensinamento. Vai na boa, a gente tá bem!

JÔ LIMA.
Uma eterna nômade, facilmente encontrada em livrarias e sebos, que vive arrumando a mala sempre que pode e afirma com todas as letras que o amor é o único sentimento que não some do mapa. Se apaixona por estranhos no metrô e ama bandas que ninguém conhece. Trocou o verão do Maranhão pela garoa de São Paulo, percebeu que ser gente grande é complicado e por isso leva a vida com um jeito de menina, sempre que pode se refugia em um mundo paralelo de séris, filmes e Jeunet, livros de Fante e brigadeiro. Acredita ser jornalista e trabalha com marketing, é autora de livros infanto-juvenis e dá conselhos amorosos em mesas de bares da metrópole.

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