O amor é brega. E quem não é?

terça-feira, 11 de outubro de 2016

A CULPA É DA DISNEY.

magda-albuquerque


Histórias lindas e encantadas. Príncipes, cavalos, donzelas indefesas, o aguardado beijo, madrastas, carruagens. Já conseguiu imaginar esse cenário? Pois é, muitas histórias que nos acostumamos a ver na infância são compostas por vários destes elementos, mas inocentemente fomos acreditando que essa era a realidade que encontraríamos mais tarde na vida, e passamos a sonhar com os tais príncipes a cavalo e as princesas indefesas como parceiros e parceiras ideais.

Inexplicavelmente fadamos todos os nossos relacionamentos ao fracasso.

Quem de nós, mortais, poderá encontrar um príncipe ou princesa de verdade e viver um conto de fadas? Eu me arrisco a dizer que essa probabilidade é mais que mínima, é impossível. Não estou sendo pessimista — e está muito longe de mim a descrença no amor —, mas cresci e percebi o quanto eu esperava o impossível e anulei algumas possibilidades de “dar certo”, ainda que de forma passageira. Eu esperava demais, muito mais, de cada um, enquanto eles eram apenas homens, humanos, gente de verdade. E gente real falha, erra, é imperfeita, não usa carruagem, não guarda o sapatinho perdido, não dá o beijo inesperado que faz a maçã envenenada ser expelida.

Aprendi, com sacrifícios, que o príncipe na verdade é tão humano quanto eu, e está em qualquer lugar, até onde não se pode esperar. O verdadeiro amor está no cotidiano, na vida real que vivemos. Mas meu aprendizado foi doloroso, por que precisei sofrer para perceber e conseguir abrir mão das inúmeras expectativas que carreguei comigo. E tão logo despertei e me desliguei desse peso, tudo ficou mais leve, mais sereno, e com mais gosto de vida.

A partir desse momento, encontrei pessoas reais, com tantas dores e loucuras quanto eu, dispostas a quebrar a cara, mas ainda assim acreditar e arriscar. Acima de tudo, encontrei um amor de verdade, desses que não costumamos ler nos contos de fadas, mas nas linhas e entrelinhas que nós, plebeus, vivemos.

Por isso: despertem! A vida está no doce despertar do que é palpável. No final das contas é de gente que a gente precisa. Sem mais nem menos, nem por quês. Caia do cavalo, jogue os sapatos fora, corte as tranças, troque a maçã pelo hambúrguer, enfrente a “bruxa”, saia do castelo, mas não deixe de viver o que é real. E saiba que ninguém irá lhe salvar, porque isso só pertence a você. Descubra seu próprio conto, que pode não ter fadas, mas é seu.

MAGDA ALBUQUERQUE.
Magda Albuquerque. 26 anos. Prolixa. Psicóloga. Mistura realidade e fantasia em um encontro com a sua criatividade. Sempre em busca de tornar os dias mais leves com uma palavra ou outra, tentando organizar o próprio mundo. Escreve para organizar o próprio mundo, com a missão de colorir a vida - a sua e de todos.

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