O amor é brega. E quem não é?

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

VOCÊ SEMPRE VOLTA


Eu sei que essa é provavelmente a coisa mais ridícula que eu fiz pra você nesses dois anos. Mas é que tanto amor já não cabe aqui dentro de mim. E eu preciso me esvaziar, entende? Preciso me sentir mais leve pra poder caminhar por aí e começar a me sentir bem de novo. E você me conhece, eu tenho essa mania estúpida de não conseguir me controlar quando a garganta aperta e o meu peito dói. Acho que, no fundo, tenho um fiozinho de esperança de você dizer que de vez em quando andou sentindo minha falta também.

Não machuca sempre, claro. E eu ando tentando fazer coisas que nunca fiz antes. Sabe, você devia tentar. Mas acontece que de algum jeito ou de outro eu sempre acabo sentindo saudades suas. Vontade de te contar do meu dia e de saber se tá tudo bem, se você tá conseguindo lidar com tudo isso, porque se tiver me ensina.

Eu não vejo a hora de saber noticias suas e não sentir nada além de um carinho enorme e uma nostalgia gostosa. Essa dor aqui me sufoca. E passa, sempre passa. Mas também sempre volta, seja amanhã ou daqui duas semanas. E volta o desejo de viver tudo de novo, de rir com você e sentir a paz que há tanto tempo eu já não sinto.

Dá vontade de sair catando flores por aqui e te enviar pelo correio, só pra você ficar sabendo que quando eu vejo algo bonito é em você que eu penso. Mas olho meu reflexo no espelho e meus próprios olhos me desarmam. Porque eu sei que deveria estar buscando coisas novas e não revivendo esse amor velho.

E eu tento esquecer você e a sua risada engraçada. Tento me apaixonar por bocas sem sabor. E achar em outros olhos o tom sonhador e ao mesmo tempo tão desacreditado que até hoje só encontrei nos seus.

Sinto falta do seu jeitinho e de como você esteve sempre presente, de como sabia que seus braços estariam ali pra mim e a certeza que seus pés estavam exatamente aonde queriam estar. Comigo.

E você sempre volta. Volta pra dizer "olá", volta pros meus sonhos, pra esse meu coração fraco. E eu, que quase consegui sorrir assim bem de verdade, fico sem saída. Sem ter braços para onde correr. Eu sempre corria pra você e esse seu sorriso largo. E você sempre me acolheu com muito amor. Talvez nunca tenha te agradecido por isso, então obrigada.

Espero que você esteja bem e se não estiver espero que melhore. Eu sei que eu vou me ajeitar aqui , mais cedo ou mais tarde. Já dizia Drummond: "Essa ferida, meu bem, às vezes não sara nunca, às vezes sara amanhã". E vai sarar.

E esse buraco que ficou quando perdi a sua amizade — mesmo sendo só temporário — vai ser preenchido com coisas boas. Eu quero poder saber que você se apaixonou sem que isso me machuque e conseguir ficar feliz sem lágrimas nos olhos pensando: "era eu quem deveria estar contigo para o resto da vida.".

Então, deixa eu ir ali me cuidar. Buscar coisas que me acalmem e organizar toda a minha vida que anda uma verdadeira bagunça. Deixa eu ir devagarzinho, sem pressa, sem medo. Deixa eu ir em paz e com o alivio por saber que eu disse tudo o que precisava, que fiz tudo o que podia e que você vai sempre lembrar de mim, que você vai sempre sentir que foi amada com todo coração. Porque eu te amo com tudo o que eu tenho e com todas as forças que me restam.

As pessoas devem sempre saber quando são tão amadas assim. É uma daquelas coisas raras da vida que não acontecem com todo mundo e eu fico feliz por ter sido tão amada por você também. Ninguém antes tinha ficado por tanto tempo e você ainda é a melhor coisa que me aconteceu. A coisa mais bonita da qual eu me lembro. 

Obrigada por ter vivido comigo esse amor louco e não ter largado nunca minha mão. Sou grata por ter tido a sorte de passar um pedaço da minha vida com você.

TATIANE ARGENTA.
20 anos, paulista. Escritora de bar e cafézinho, romântica incorrigível que tem tanto medo do futuro quanto você. Inúmeras incertezas e conflitos no peito como qualquer um, mas que sabe por isso no papel. Assim como outros sabem cantar.

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