O amor é brega. E quem não é?

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

TUDO NOVO DE NOVO



Eu que gosto de expressar através dos clichês tô aqui pra mais uma vez deixar minhas palavras sobre fatos que se repetem e podem acontecer com qualquer um de nós, ou com quase todo mundo.

Tá confuso? Pera! Eu preciso começar de alguma forma porque confesso que não estava preparada para mais uma vez me deparar com o "novo". Para que você entenda, preciso só desabafar minhas dificuldades em aceitar que amanheci sem uma parte de mim, não sou a mesmo de antes, simplesmente por não ter com quem continuar dividindo meus planos de uma vida inteira. Ele parecia ser perfeito, se encaixava melhor do que ninguém em qualquer lacuna aberta à espera pra ser preenchida.

Apesar de ele ser um tipo mais descolado, do que não liga pra pentear o cabelo prum lado só bagunçando sempre que está nervoso ou ansioso, de curtir um suco de laranja bem azedo e amar carne mal passada em churrasco, de eu sentir necessidade de não trocar de perfume nunca por que acho que o cheiro da pessoa é “cheiro da pessoa”, de deixar bem claro que doce pra mim é uma das maravilhas do mundo sim e repetir toda vez o ditado que diz “de amargo já basta a vida”.

Tudo bem que a gente pode se enganar com as pessoas, que infelizmente isso é mais normal do que imaginamos, mas com ele era diferente entende?! A gente combinava de uma maneira única, mesmo ele preferindo mar e eu cachoeira, ele macarrão eu arroz, independente de eu nunca ter comido jaca e ele insistir que é independente da aparência é uma fruta gostosa, e olha que quase discutirmos por eu ter opinião sobre algo sem ao menos ter experimentado, o fim até agora não fazia parte de nenhuma conversa, nem quando brigávamos feio e dormíamos sem ter feito as pazes!!!

Acontece que eu não sei lidar com essa condição de ter que ver tudo como novidade outra vez, me assusta ao ponto de não me permitir dar um passo sem cair no choro e sentir medo, anda tudo misturado aqui dentro, nada que ele tenha feito conseguiu destruir o sentimento por completo, eu sei que tô sendo muito ruim comigo mesmo, que meu Amor Próprio ainda não mostrou as caras, mas eu dependo de usar minha sinceridade e derramar aqui toda essa minha loucura, que é ter que seguir sozinha de novo, reaprender o vazio, a saudade, a ausência e mais importante ainda, compreender que as pessoas são responsáveis pelos seus erros e a gente colhe sim o que planta, mas às vezes é preciso que o tempo faça a parte dele e enquanto isso, eu tento vagarosamente a suportar a realidade e considerar o mal que ele fez pra gente.

Eu me culpo, afinal deveria ter reparado nas dicas que estavam escancaradas cotidianamente, quando dormíamos cada vez menos vezes juntos, quando o dia 25 era apenas mais um dia comum e não mais uma data pra comemorarmos, ou então quando os motivos para ficar longe eram medíocres e sem qualquer justificativa. Eu devia ter entendido, vai ver eu sabia no que ia dar, mas preferi ficar com os olhos vendados. Não dá pra desconsiderar que assim como o novo se apresenta à minha frente, tenho que guardar na memória os erros, as dores, as lições até aqui. Não posso ignorar os fatos e deixar que o coração me domine ao ponto de me cegar mais uma vez, por isso é que mesmo doendo eu vou aceitar a condição da vida que é de que sempre pode haver um tudo novo de novo.


JOANY TALON.
Pra quem acredita em horóscopo é Canceriana, nascida em Araruama no dia 15 de julho de 1986, assistente social pela Universidade Federal Fluminense, e agraciada por Deus pelo dom de transformar em palavras tudo que sente, autora dos livros “Cotidiano & Seus Clichês” e “Intrínseco” e co-autora no livro “Pequenices Diárias”

INSTAGRAM | FANPAGE

0 comentários:

Postar um comentário