O amor é brega. E quem não é?

sábado, 10 de setembro de 2016

OS DISSABORES DA DELAÇÃO MODERNA - FATORES QUE INCITAM O ABUSO



Quando a mente e o coração são blindados, as intempéries do mundo são incapazes de abalar nossa serenidade e consequentemente afetar relações conjugais, mas nossa autossuficiência ignora tal ensinamento e vivemos a relação moderna — intensa e instável.

Já perceberam que a cada dia nossas relações cotidianas dependem de algum fator “x” para satisfazer aos anseios da sociedade? (sucesso, estética, dinheiro, etc.) Consequentemente deixamos a felicidade de lado em busca de modelos pré-estabelecidos e convictos que depois da tempestade vem na bonança, simplesmente aceitamos que conviver com os problemas é a melhor solução.

Atualmente relação e detenção são palavras sinônimas. Tenho amigos que vivem uma verdadeira prisão domiciliar para agradar parceiras inseguras. Esquecem amigos e família, abdicam das relações interpessoais porque suas vidas são remotamente controladas. As coisas simples da vida nunca foram tão complexas, tudo é discutido e nada é conclusivo. Jogar futebol com os amigos virou crime e a pena é máxima — uma a duas semanas de desprezo —, happy hour depois do serviço é o caminho mais curto para assinar previamente a demissão afetiva — em Minas gerais, se o parceiro comunica que irá tomar uma cervejinha e a parceira responder a inocente frase: “Cê qui sabi!”; não vá, meu amigo, quando uma mineira diz “cê qui sabi”, ironicamente, significa que você está morto.

Outro dia perguntei alguns desses amigos como era possível viver nessa situação e uma resposta bem inusitada me fez refletir: “Ah! No meu relacionamento anterior era tudo a mesma coisa, vivia sufocado, passei a usar óculos escuros até mesmo em dias nublados, pois qualquer desvio de olhar era um Deus nos acuda. Terminei a relação e certo da insanidade daquela mulher, parti para outra. Foi então a descoberta mais infeliz da minha vida — em caso de insatisfação no relacionamento, mude de sexo, porque mulheres são todas iguais!”.

Preferimos aceitar uma situação incômoda e alimentar a insatisfação de forma silenciosa, no entanto, tais atitudes acarretam o acúmulo de sentimentos negativos, provocando turbilhões de descontentamentos. Realmente o coração moderno é uma catástrofe, verdadeiro vulcão inativo na racionalidade, mas nas entre linhas, discutir uma relação pode desequilibrar os sentidos e provocar uma erupção.

O amor pegou carona nas transformações do século XXI e rebelou-se contra os antigos paradigmas. Talvez seja este o motivo central dos crescentes crimes passionais, divórcios e infidelidades. As pessoas querem ser proprietárias da vida alheia e ditam regras de conduta unilaterais, mas esquecem que o coração é livre e não permite ser tratado em cativeiro.

DIEGO AUGUSTO.
Mineiro de Belo Horizonte, engenheiro de produção por profissão e escritor por paixão. Amante da vida e das pessoas, acredita que os sonhos embalam a vida e o amor propulsiona os sonhos. Odeia o mais ou menos e pessoas que querem progredir cedo acordando tarde. Apreciador de cervejas e conselheiro de temas que pautam as mesas de bares.

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