O amor é brega. E quem não é?

terça-feira, 27 de setembro de 2016

MOÇA, SAI DA SACADA.


❁ Ouça enquanto lê: Supercombo - Amianto 

E eu caí. Caí feio. Me vi jogada em um buraco negro que nomeei solidão. Não sabia pra onde ir, o que sentir, o que dizer. Vi apenas escuridão. Nem uma luzinha de vaga-lume em nenhuma parte. E apenas esperei. Aceitei estar ali e viver daquela maneira. E foi então que te vi.

Uma luzinha menor que um vaga-lume, meio falha, mas estava ali. Me chamou e disse que queria conversar. "Sobre a vida" — você disse. Não consegui pensar no que seria conversar sobre a vida com alguém. E então você me disse que ela "é como mãe quando nos obriga a comer vegetais", ela faz isso pelo nosso bem, ela sabe que faz bem.

Mas não quis aceitar isso. Não entendi o motivo de tanta dor fazer bem. Isso pra mim era inaceitável. Mas você se dispôs a me ajudar a entender. Você não saiu do meu lado, mesmo quando tudo o que eu queria era pular dessa sacada pra acabar com a dor.

Você me disse que não valia a pena acabar com a dor assim. Não entendi o motivo. Pra mim, era a única forma de acabar com a dor. Então você voltou ao início comigo, pra tentar entender minha dor, de onde ela vinha, como ela acabava comigo. Foi um caminho longo, tortuoso, que me assustava. Eu não queria ter que ver tudo isso de novo. Eu apenas queria acabar com a dor.

Mas você não deixou. Você se manteve ao meu lado. Durante minhas noites de pesadelos, minhas insônias por pensar demais, minhas crises de choro e dor, você esteve lá. Me ajudou a passar por tudo isso, por mais horrível que fosse. Nunca ninguém havia feito isso por mim. Nunca ninguém havia se mostrado disposto a me ajudar.

Mas tive medo. Medo de que você se cansasse e me abandonasse. E isso me corroía mais. Só eu sabia tudo o que se passava em minha cabeça e não queria assustar você com isso. Sempre fui taxada de louca por sentir algo que não conseguia controlar. Não queria que você fizesse o mesmo.

Era impossível conseguir explicar pras pessoas o que eu sentia, a dor que me corroía. A opção de me jogar dessa sacada e acabar com a dor sempre me pareceu mais fácil. A falta de compreensão das pessoas sempre me deixou pior. Elas achavam que eu apenas queria chamar atenção, mas quando diziam isso, doía mais. E eu só queria sumir.

E foi então que caí. Me vi sozinha, no escuro. Completamente sozinha, no meio de tanta gente que dizia querer ajudar. Mas fugiam após a primeira frase dita por mim. Eu estava no escuro, não via nada. Minha única saída era pular dessa sacada e acabar com a dor. Foi quando caminhava pra cá que esbarrei em você. E você me viu através da alma.

E me fez desejar mais pessoas como você no mundo.

Obrigada.
MARINA COUTO.
21 anos, estudante de Letras, forrozeira e apaixonada por palavras. Escrevo pra me sentir livre, não tenho destinatário certo, acho que assim fico mais desapegada e escrevo Com a alma. Gosto de escrever para as outras pessoas saberem que não estão sozinhas. Quem vai ser meu interlocutor? Quem ler decidirá se aceita ser ou não. Se você se identificar, é um novo interlocutor, escreverei pensando que não estou só. Escreverei pra nós

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