O amor é brega. E quem não é?

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

EU PRECISO VOAR


''É que, meu bem
Eu nasci livre
Ao invés de me prender
Por que não voa comigo?''

Por que será que isso me prende tanto ao ponto de sufocar, de me fazer entrar em desespero e ficar com falta de ar? Era pra ser algo prazeroso, não?! Pára de fazer meu peito apertar! Tenho medo desse nosso contato, tenho medo dessa magia se tornar uma obrigação. Pois as brigas já começaram e você já ergueu a mão para mim, lembra? Não, provavelmente não. Tudo poderia ser mais fácil, se aprendêssemos a ceder, acatar também a vontade do outro. Mas tudo é como você quer, e 'ai' de mim se reclamar. Afinal, sou propriedade sua, certo?! Não.

Você resolveu me prender, colocar num potinho, um potinho só seu. Mimar, cuidar, proteger e todas aquelas coisas meigas de um relacionamento. No começo até me fez bem, um bem danado por sinal, porém o tempo foi passando e o espaço foi apertando. Como aquelas calças que insistimos em tentar vestir após engordar alguns quilos nas festas de final de ano. Quase nunca dá certo, e quando dá se torna desconfortável. Você queria mais de mim e eu mais de espaço. Você queria o meu bem, mas acabou me sufocando. Certa vez ouvi que um casal é como um pilar de uma casa, um precisa do outro, mas se estiverem muito colados a casa cai.

Existe a proteção, o cuidado e a base de um relacionamento, eu sei. Mas eu só quero voar, não pra tão longe, mas eu quero conhecer esse mundão lá fora, sabe?! Eu quero aprender a voar, ter minha liberdade, esticar minhas asas e sentir o vento frio contra meu rosto, respirar fundo e perceber como é bom ter meu espaço, sorrir para o céu e tocar as nuvens, até que no fim de tarde eu voltarei ao teu aconchego, me encaixarei no teu abraço, e ali ficarei. É só você não me prender.

Antigamente teu abraço era o lugar onde eu preferia estar, trocaria tudo pelo teu aconchego já que teu cheiro me enebriava, teu toque me arrepiava e tua respiração me acalmava. Com certo tempo, suas palavras se tornaram ásperas e me feriam com violência, seus carinhos já estavam se tornando agressivos e sua proteção se tornou obsessão. Mas pra não me deixar ir, você apertou demais o abraço, aquilo me sufocou, me fez querer voar, e eu voei.

Ainda dá tempo. Vem, vem voar comigo? Por que ao invés de me prender, você não alça esse voo comigo? Podemos desfrutar juntos dessa imensidão de céu, de liberdade. Podemos ser fechados apenas no nosso canto, no calor do momento, entre quatro paredes.

Eu sempre fui livre, então não queira me prender, não queira me sufocar, a não ser que seja num abraço após dias sem se ver. Eu te peço um pouco mais de espaço, só um pouco. Fica aqui comigo, mas me deixe voar, você sempre soube que eu volto pro aconchego dos teus braços. É só me deixar livre.

LAYLA MOTA.
16 primaveras. Uma baixinha arretada e apaixonada por um ilustrador. Aspirante à blogueira, escritora e desenha nas horas vagas. Louca por fotografias e pôr-do-sol, cristã evangélica de corpo e alma. Coleciona sonhos, histórias e gosta de compartilhá-los com gente que gosta da gente.

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