O amor é brega. E quem não é?

terça-feira, 20 de setembro de 2016

ESSE TEXTO NÃO É UMA INDIRETA PRA VOCÊ



É engraçado como as pessoas surgem por acaso em nossas vidas. Sem maiores pretensões, talvez em busca de um pouco de curtição e só querendo conhecer gente nova.

Você baixa um aplicativo para conhecer pessoas e, mesmo estando lá de tempos em tempos, acaba conhecendo alguém interessante. Logo de cara você acha a pessoa bonita. Opa! Deu match! Uma semana depois surte o primeiro “olá!”. Das conversas esporádicas vem o número do whatsapp, as ideias em comum, os gostos estranhos por comidas exóticas, a certeza de que foi um golpe de estado e pronto. Rola o primeiro encontro.

Pizza, cerveja, risadas, música ao fundo e, algum tempo depois, como quem não quer nada, o primeiro beijo. Aliás, beijo não! Uma explosão nuclear! “Na minha casa ou na sua?”. Obviamente a primeira noite só termina num bom dia. As conversas se tornam frequentes, o final de semana passa a ser ansiosamente aguardado, as mensagens de “bom dia” e “boa noite” sempre vão, prioritariamente, à mesma pessoa. Saudade! Não é um “pensei em você”, é “saudade”! Tem um peso diferente, não é?!

Vontade crescente, churrasco com os amigos no sábado, desejo latente, praia no domingo, mensagem cheia de dengo, encontro no meio da semana, respostas monossilábicas, sumiço de dois dias, “o que houve?”, respostas vazias, “mas o que houve?”, sumiço de três dias, “devo ter feito algo de errado...”, PRECISAMOS CONVERSAR!

De repente tudo mudou. Você pensa que alguma besteira deve ter feito. Será que foi com sede demais ao pote? Mas estava sendo correspondido, não dá para ser isso. Intenso demais! Mas era recíproco. Daí você espera a conversa que nunca acontece. Não nos primeiros dias. “Ei, espera! Me conta! Deixa eu entender o que aconteceu!” Medo de gostar demais. Sim! Mesmo depois de você demonstrar a ela que quer tê-la ao lado, a desculpa dada é que ela tem medo de se envolver contigo.

O fantasma de relações passadas ali presente, cutucando a mente, impedindo que se siga adiante. Você é um cara bacana. E isso não é porque você se olha no espelho e diz, foi o que ela própria lhe disse. Você é, realmente, um cara bacana. Fez com que ela se sentisse novamente desejada por alguém. A tratou como ela não estava acostumada, se importou, deu atenção, ofereceu uma verdadeira companhia que havia tempo que ela não tinha. Ofereceu colo e abrigo, entrelaçou dedos, desfez nós, fez café, cafuné e a viu dormir sobre seu peito.

Mas o que era para produzir uma vontade a fim de construir uma nova história, deu lugar a um sentimento de insignificância frente àquelas últimas palavras: Desculpa! Eu não sou suficiente para você...

Ela desistiu. Jogou a toalha. Entregou os pontos. Deu game over na relação. Não por não gostar de você. Pelo contrário! Por gostar demais, talvez mais do que ela própria poderia suportar. Sucumbiu ao medo de seguir adiante. Você, que tinha um coração sobre suas mãos pronto para entregá-la, teve de recolhê-lo de volta ao peito.

Qual seria seu melhor argumento? Pedir para ela ficar? Esquecer o medo dentro de uma gaveta no criado-mudo, trancar e jogar a chave fora? Não adianta... Quando alguém resolve colocar o medo à frente de sua própria vontade, num exercício de autossabotagem, não há força, jeito ou reza que derrube esse muro. Respira fundo. Ainda que aceitar seja difícil, ao menos compreenda.

Há de se respeitar a decisão do outro de ir embora. No final das contas, merecemos o que permitimos vir até nós. Que resolva ficar ao seu lado apenas quem esteja disposto a sonhar tão alto quanto os seus sonhos. Que tal acreditar que, o mínimo que você merece, é ser feliz?


VITOR VILAS BÔAS.

Baiano, professor de história, apaixonado por política, café basquete, fórmula 1, natureza e pizza de atum com catupiry. Hoje caminha sem muita pressa pelas ruas de Aracaju, deixando as ideias fluírem através do encanto captado pelos seus olhos e ouvidos. Anda, frequentemente, de sorriso e coração abertos, vivendo com a intensidade que os seus 30 anos ensinaram.

2 comentários:

  1. Que texto fantástico, Vitor. Exatamente assim!

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  2. Que texto maravilhoso! Rolou uma certa identificação com algumas coisas, sabe? Hahaha... Mas são águas passadas.

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