O amor é brega. E quem não é?

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

ELE NUNCA ME BATEU, MAS TAMBÉM NUNCA ME AMOU!



Ele nunca me bateu, mas o seu tom de voz começava a mudar sempre que eu discordava de algo. Conseguia fazer com que eu me sentisse culpada em segundos, mesmo que eu nunca soubesse o real motivo da culpa.

Fez com que eu me afastasse dos meus amigos, aos poucos, com a desculpa de que um não gostava dele, que o outro olhava para mim de forma diferente, que não existia amizade entre homem e mulher e eu — mais uma vez — cedia, calava e deixava com que a vontade dele prevalecesse, afinal ele sempre me amou, certo?

Toda amiga tinha defeito. Uma era assanhada demais, "periguete" demais, a outra era solteira e eu, uma mulher comprometida, não podia me dar ao luxo de ser vista com mulheres "desse tipo" — que cada dia estava com um — então, aos poucos, eu fui me afastando.

Não era necessário me arrumar para ficar em casa. Minhas maquiagens manchavam a sua roupa, e o meu sofá era melhor do que qualquer outro lugar. Quando me dei conta, eu já fazia parte da decoração da casa, não saía e não tinha mais amigos.

Diante de tudo que acontecia, eu só conseguia imaginar que essa era a forma que ele tinha de amar, era um pouco diferente, mas era a forma dele. Ainda assim, a cada dia que se passava, suas palavras ficavam cada vez mais duras e era cada vez mais difícil acreditar que aquilo fosse amor. "Você é uma gorda, se eu te largar, quem vai te querer?". "Não sei porque ainda estou contigo".

E cada vez que uma destas frases era pronunciada, uma nova lágrima escorria dos meus olhos e ele fazia questão de dizer que a culpa era minha, enquanto eu implorava desculpas, com a certeza de que eu era sempre culpada de tudo.

Ele nunca me bateu, mas me privou de viver, sorrir, ser quem eu era. Fez com que várias coisas — e pessoas — da minha vida perdessem o encanto. Ele nunca levantou a mão para mim, porém ele levantou a voz e baixou minha autoestima. Ele nunca deixou marcas físicas, mas machucou a minha alma e o meu coração. Ele nunca me olhou nos olhos, mas quando eu resolvi dar um basta, olhei bem fundo nos olhos dele e disse:

— Você nunca me bateu, assim como você nunca foi homem. Fez com que eu me anulasse e deixasse de ser quem eu sou, então hoje eu te deixo e me reencontro. Estou partindo e desejo nunca mais voltar.

Ele nunca me bateu, assim como ele nunca me amou. Achou que eu fosse sua posse e isso, meu bem, eu nunca serei.

ANDRESSA LEAL.
Andressa, desde 1986. Mauá - SP, uma mulher cheia de mistérios e repleta de poesias, encontrei nos textos e poesias minha fuga, meu refugio, meu mundo, algo só meu que compartilho com você. Aqui serei simplesmente eu, textos que nem na pagina do facebook eu posto aqui irei postar. Um dia sem poesia para mim é um dia em vão!

9 comentários:

  1. Que forte, Dessa. Recebe meu abraço agora, viu? Sei que apesar de ter passado sempre fica uma dorzinha em nós.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pam, abraço recebido. Sim, a dorzinha hora ou outra da uma aparecida, mas a gente segue.

      Excluir
  2. Caramba! Eu já te admirava, mas essa "barra" elevou muitooo a certeza que tenho: você é muito guerreira e vitoriosa.
    Grande abraço minha amiga!

    ResponderExcluir
  3. Dessa, obrigada por compartilhar tudo isso. Texto intenso e real. Você é grandiosa! ♥

    ResponderExcluir
  4. Olá Andressa...passei por isso, mas muitas vzs apanhava... ele não só me afastou de amigos até com parentes, pai,mae, irmã também.... e no final venci o medo...e fui viver, larguei tudo... inclusive filhos que via tudo e apoiava...ele...hj recomeçando uma viva nova... tentando esquecer tudo que me fazia mal.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Recomeçar muitas vezes é preciso e a única opção que temos.
      Parabéns pela sua força e pela sua garra, que sua luta sirva de exemplo, e de aprendizado.
      Força!

      Excluir
  5. Obrigada pelo texto! Estou na fase de tomar uma atitude. Porém falta coragem....

    ResponderExcluir