O amor é brega. E quem não é?

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

CAFÉ DA MANHÃ


Um cheiro me acordou e logo me tirou da cama. Percorri a casa até chegar ao lugar de onde vinha, e encontrei você, franzindo a testa, tentando dar um jeito em alguma coisa. Parei por uns segundos e fiquei observando, sorrindo leve e silenciosamente.

À minha frente eu estava vendo um sinal muito claro da sua delicadeza e do empenho em fazer algo que poderia dar errado, dar muito certo. Assim, à espreita, pude observar detalhes que passam despercebidos no cotidiano, como o seu desprendimento em bagunçar tudo e, ainda assim, manter organizado de um jeito só seu, ou como se sente perdido e mesmo assim parece ser a pessoa mais segura do mundo, ou simplesmente o fato de que você estava ali, há um bom tempo, fazendo algo para nós dois.

Voltei para o quarto, com aquele sorriso bobo que só quem ama consegue dar, mesmo querendo ficar ali mais tempo. Precisava cumprir minha rotina e também não pretendia lhe atrapalhar. Era bonito demais para ser interrompido. Tomei banho e vesti a roupa sem demora, para logo lhe encontrar e conferir o resultado de uma manhã inesperadamente linda.

Encontrei um café da manhã completo, com panquecas, ovos, leite, suco, café, um mini bolo, geléia, torradas e o mais gostoso de tudo: você, ali, sorrindo, meu. Aquela cena fez meus olhos marejarem, me fez sorrir e chorar ao mesmo tempo. Corri pros seus braços, que é o lugar mais aconchegante do mundo, sobretudo para começar o dia. Abracei-lhe, beijei seus lábios com gosto de café quentinho, agradecendo em silêncio aos céus por me darem você, por me presentearem tão delicadamente com alguém assim, desse jeito tão despretensiosamente amoroso e dono de um cuidado incrível.

Com certeza, foi o café da manhã mais incrível que pude ter até hoje. Não pelo alimento, mas pelo que me alimentou nesta manhã: o amor.

Em um gesto, uma atitude surpreendente e delicada, você me mostrou tanto do amor, mas mais do que um sentimento, me mostrou o quanto é real e o quanto é possível vivê-lo de um jeito bobo e cheio de surpresas, mesmo que seja tão simples. Acredito que, no final das contas, é desse jeito que compreendemos até onde vai o nosso amor. De uma loucura até as coisas mais simples e, ainda sim, tem um gosto infinito de cumplicidade.

MAGDA ALBUQUERQUE.
Magda Albuquerque. 26 anos. Prolixa. Psicóloga. Mistura realidade e fantasia em um encontro com a sua criatividade. Sempre em busca de tornar os dias mais leves com uma palavra ou outra, tentando organizar o próprio mundo. Escreve para organizar o próprio mundo, com a missão de colorir a vida - a sua e de todos.

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