O amor é brega. E quem não é?

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

A ERRADA DA HISTÓRIA




Você me fazia acreditar que a errada da história era eu. E, de repente eu me via pedindo desculpas pelos seus erros. Quando eu olho para a nossa história eu me pergunto o porquê de ter permitido que você me maltratasse tanto, que me fizesse acreditar que eu era louca e que via coisas onde não existiam. A gente nunca consegue enxergar o mal que uma relação nos faz quando estamos dentro dela. Inúmeras vezes os meus amigos tentavam me alertar de que você não me levava a sério, de que eu estava sendo feita de marionete e que eu era só mais um troféu que você podia exibir aos seus amigos. E assim você fazia, ou será prepotência demais eu me intitular como prêmio?

Eu olho para você e sinto pena daquela moça que aguardava ansiosa o final de semana e recebia — como presente — uma desculpa esfarrapada. Quantas vezes você realmente quis estar comigo? Não consigo compreender o sentimento que nutria por você. Eu lembro de dizer aos meus amigos: “eu o amo e sei que ele poderá mudar”. E, fico com muito dó por isso. Se eu pudesse iria até mim, me abraçaria e faria enxergar a realidade. Nem todo mundo que diz amar realmente ama. Nem todo mundo que diz se importar realmente se importa.

Tantas vezes eu quis te confrontar no intuito de descobrir as tuas mentiras e acabava em lágrimas pedindo perdão pelas coisas que você havia feito. Eu me sentia a pior pessoa do mundo. E, me desesperava diante do meu “erro”, suplicava para que você não me deixasse e para que relevasse todas as minhas acusações. Afinal, na sua concepção, eu era louca e paranoica. Via coisas demais e enchia a minha cabecinha, de menina ingênua, de minhocas e coisas sem sentido.

Eu olho para a minha vida hoje e apesar de enxergar tudo isso, de todo o mal que você me fez, de saber que a culpa não era minha, eu continuo sendo a mesma pessoa insegura e cheia de neuras. Eu sempre acho que vão me fazer de babaca novamente, que ninguém me amará como eu devo. Obrigada por ter fodido com o meu psicológico, com a minha autoestima, com a visão que tenho de mim diante do espelho.

A gente acha que nunca acontecerá conosco. Nós damos conselhos às amigas e dizemos: “ele não te ama”, “você merece coisa melhor”, como se fosse realmente muito fácil se livrar dessa prisão, se libertar desses grilhões. A gente acha que o nosso passado fica para trás quando conhecemos outras pessoas, mas, infelizmente, vez ou outra você me vem à mente em uma insegurança tola. Você vem me apontar que não mereço o amor. Vem me dizer que sou alguém que é difícil de ser amar. E, eu vou acreditando nisso.


Apesar de.


PÂMELA MARQUES.
Pâmela Marques é escritora, musicista e apaixonada. Tem alguns títulos acadêmicos, mas o que realmente importa é que ela vive para arte. É fã alucinada de Roxette, amante de Caio Fernando Abreu e admiradora de Tolkien.

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