O amor é brega. E quem não é?

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

VOCÊ JUROU QUE ERA PRA SEMPRE

término-de-relacionamento

Domingo. Nove horas da manhã. O sol fazendo morada em meu quarto. Bendita janela que ficou aberta desde que você foi embora. A esperança de lhe ver voltar, do mesmo jeito que partiu, me fez manter a janela aberta dia após dia, entre sol e chuva. Mais uma semana e o coração aos pedaços, com uma saudade dilacerante. Você não tem ideia do que fez comigo ao jogar sua mala e seguir janela abaixo, sem nem se dar ao trabalho de descer as escadas, abrir a porta e bater. Sei lá, mas parece que não aconteceu nada, de tão absurda que foi sua partida.

Desisto de suportar o calor, levanto da cama, olho no espelho. O que vejo me faz dar um salto pra trás. Essa mulher que ficou não se parece em nada comigo. Não existe uma gota de felicidade, não restou nada do que foi vivido. Definitivamente preciso de um banho, de comida, de roupa limpa. Só agora me dei conta de que estou nessa cama tempo demais, acumulando lixos e lágrimas.

Dez dias. Nem parece que faz tanto tempo e me sinto completamente perdida. Você simplesmente foi embora, sem brigas, sem explicações, sem um por quê. Aquela madrugada é revivida dia após dia dentro de mim e a dor chega a ser insuportável, enquanto as lágrimas dão vez e voz ao que grita aqui dentro do peito. Tem sido torturante ligar, ligar, chorar, me questionar, chorar ainda mais, adormecer cansada e acordar sem forças para tentar novamente.

Décimo primeiro dia. Levanto e olho novamente no espelho. Mesma imagem. Repito o espanto e a percepção de que preciso cuidar minimamente do que sobrou de mim. Tomo banho, escovo os dentes, desço as escadas. No penúltimo degrau, paro e vejo a porta entreaberta. Um fio de esperança se abriga no peito, o coração acelera, a respiração fica ofegante. Controlo as lágrimas e desço minuciosamente o último degrau. Dou a volta pela casa e nenhum vestígio de você. Nada. Percebo que você voltou, levou tudo o que é seu e foi embora sem nem cogitar a possibilidade de me olhar nos olhos, de se despedir.

As lágrimas me invadem completamente. Eu fazia parte daquilo que era seu nesta casa. Eu me fiz sua em cada instante. Deixei a janela aberta para que você pudesse voltar. Você veio, invadiu porta adentro, levou o que queria e nem teve a coragem de bater a porta para ir embora. Você jurou que era pra sempre e não foi – não está sendo. Jogada ao chão, neste vazio, não me reconheço mais, não era pra ser só meu esse lugar. Não faz sentido. A dor é intolerável. Você não fez nada do que prometeu, não cuidou de mim até o fim.

Enxugo as lágrimas. Tento me abraçar, aninhando os braços envoltos em mim. Ensaio um passo ou outro e fecho a porta. Olho o que restou e volto ao quarto. Alguns passos e fecho a janela. Já passei tempo demais alimentando uma falsa esperança. Fecho todas as portas e janelas que possam permitir seu retorno. Por mais que a dor só aumente, agora é necessário. Não há mais nada seu, é somente meu, restou somente eu. E assim é que vou ficar. Janelas e portas trancadas. Ninguém vai mais entrar. Não hoje, não agora, não depois de você.


MAGDA ALBUQUERQUE.
Magda Albuquerque. 26 anos. Prolixa. Psicóloga. Mistura realidade e fantasia em um encontro com a sua criatividade. Sempre em busca de tornar os dias mais leves com uma palavra ou outra, tentando organizar o próprio mundo. Escreve para organizar o próprio mundo, com a missão de colorir a vida - a sua e de todos.

3 comentários:

  1. Magda,
    Que texto impactante. Ele me fez pensar de todas as vezes que tive meu coração dilacerado por alguém. É doloroso. Parabéns pelo texto e pelo sentimento que transmitiu através dele.

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    1. Pam, mesmo que não tenha sido assim, acho que a grande maioria de nós já teve o coração partido e de maneiras distintas, fortes.

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  2. Magda,
    Que texto impactante. Ele me fez pensar de todas as vezes que tive meu coração dilacerado por alguém. É doloroso. Parabéns pelo texto e pelo sentimento que transmitiu através dele.

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