O amor é brega. E quem não é?

sábado, 13 de agosto de 2016

SER PAI É SER LAR.

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Poucas foram as vezes que ouvi meu pai reclamar de qualquer coisa que fosse. Ele saía cedo para trabalhar e voltava perto da hora do jantar. Ouvia a gente contar as novidades sentado na poltrona enquanto assistia ao noticiário. Era sagrado sairmos todos juntos de férias. Íamos para o interior, em sua cidade natal e lá passávamos o mês. Os quinhentos e poucos quilômetros eram embalados por risadas, músicas antigas e histórias que ele emendava.

Cresci vendo meu pai não esquecer, por um minuto sequer, das suas origens. Lembrava das pessoas que o haviam ajudado e contava com orgulho de ter começado a trabalhar cedo, para ajudar o meu avô. Nos caminhos do sítio era comum vê-lo afastar os galhos das árvores, para que eu e minha irmã não tropeçássemos, assim como era comum ouvi-lo dar suas recomendações para que nada de mal nos acontecesse.

Eu pensava — com a minha inocência de criança — que aquilo um dia fosse mudar, mas que nada.

O cenários ganhavam formas, mas o hábito de cuidar e proteger era o mesmo. Sempre a postos para nos socorrer e sempre atento para que não desviássemos o caminho. Segurava a nossa mão quando preciso e tinha sempre uma palavra de consolo quando algo dava errado. Nunca o vi desistir de nada. Ele sempre se empenhou. Dedicação e entusiasmo nunca faltaram. Não é de fazer corpo mole pra nada e para ele tudo tem solução. É desses que encontra jeito para tudo. Arruma, conserta e vez em quando tenta aplicar suas teorias de faz de tudo na vida da gente. Ajuda a enxergar com clareza o que pra nós está obscuro.

Se não vemos um atalho, ele aponta dez. Se falta fôlego ele reforça que podemos a qualquer momento, parar e respirar antes de prosseguir. Se o medo bate a porta, ele nos puxa pela mão e nos incentiva a, pelo menos, tentar. Melhor cair tentando do que conviver com a dúvida do “e se eu tivesse feito isso ou aquilo”.

Assim como eu, ele não sabe dizer não. Apesar de sério, é super coração. Generoso que só. Costuma tirar o que está vestindo para agasalhar quem precisa. Mesmo com as emboscadas, da vida continua acreditando nas pessoas. Ele não é de duvidar de ninguém e nem se apropria de julgamentos alheios. Sempre prefere tirar suas próprias conclusões. Empresta o ombro e costuma ser combustível de sonhos que não sonhou. Ele gosta de ser útil. Olha o próximo sem fazer distinção. Ele faz tudo parecer mais fácil do que realmente é.

E quando penso que não tenho mais forças para continuar, me lembro dele insistindo em seus sonhos e batalhando sem esmorecer diante das dificuldades.

A vida dele não foi fácil. A do Zé, do João, do Carlos, do Luiz também não. Mas dentre suas escolhas, ser espelho de amor é uma delas e talvez por isso meu pai seja, desde sempre, o meu herói e meu melhor amigo. Eles não possuem capas, nem super poderes, mas vencem seus limites em prol de serem não só provedores, mas aconchego e fortaleza. Mais que exemplos, se tornam referências ao caminharem ao lado dos seus.


MARCELY PIERONI.
Escritora, administradora e chef de cozinha por escolha. Perdeu o medo de sair do lugar e desde que começou a publicar seus textos coleciona viagens onde pode abraçar seus leitores e estar mais perto daqueles que acolhem sua baguncinha. Palestra e conta histórias para crianças. É sonhadora de riso frouxo.


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