O amor é brega. E quem não é?

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

PERMITA-ME SENTIR COM VOCÊ.



Eu sei que você vai negar. Te conheço pouco, mas o suficiente para entender que não se permite algumas coisas naturais da vida. Por isso é que eu te peço, única e exclusivamente, me permita sentir com você. Permita-me sentir uma saudade que é recíproca, uma saudade que não meça quilômetros e atravesse o tempo. Permita-me saber que você lembrou de mim ao despertar no meio da madrugada e enviar uma mensagem bobinha. Não precisa dizer que sente minha falta, pode dizer a coisa mais idiota que você conseguir. Eu saberei ler as entrelinhas. Desapega de vez desse receio estraga prazer. Não é porque algo, algum dia, deu errado que vai ser igual todas as outras vezes. Permita-me abrir seus horizontes, te mostrar que podemos ser muito mais do que você imagina.

Por favor, pare já com essa baboseira de repreender seus sentimentos. Permita-me te mostrar o quão grande é o mundo, quantas mil experiências podem ser vividas sem que nosso coração se quebre em pedacinhos. Só deixe que eu te mostre o meu mundo doido, te apresente as minhas loucuras, a minha voz desafinada tentando cantar qualquer melodia, meu jeito cafona de combinar alegrias e tristezas. Permita-me desenhar a curva do teu sorriso milhões de vezes no meu pensamento, se permita sentir o mesmo sem receios. O mundo não vai desabar amanhã, talvez nem hoje ou daqui a algum tempo e, se por um acaso, começar a rachar, permita-me segurá-lo junto com você. Eu estarei aqui.

Quando, um dia, me falaram que as pessoas não surgem em nossas vidas por acaso, acho que acabei levando muito ao pé da letra. Não costumo deixar pessoas como você, que me fazem sentir um misto estranho de reviravoltas sentimentais, irem embora sem deixar uma marquinha. Para ser sincera, eu nem quero é que você vá embora. Permita-me sentir com você, experimentar o mundo, nos dar a liberdade de uma vida de obstáculos ultrapassados, de conhecimentos compartilhados. Permita que eu te proporcione lembranças inesquecíveis e, por favor, traga esse teu riso frouxo para mais perto de uma vez por todas.

Não fique na defensiva tanto tempo, o amor é um negócio tão engraçadinho que chega a ser caótico. Permita-me apresentá-lo para você em forma de amizade, em forma de carinho, de cumplicidade. Confie em mim quando digo para se permitir sentir, confie em mim quando digo para libertar o sentimento que cresce aí dentro. Permita sua alma a amar, a explodir sentimentos e soltar fogos de artifício a cada nova manifestação dócil de carinho.

Permita-se ir devagar, abusar da calma como cada momento pede. Eu não tenho pressa, só quero estar contigo. Permita que eu conheça seus tropeços, que compartilhemos de passados com xícaras de café e risadas do que passou, que me apresente seus sonhos mais malucos. Permita-me realizar o impossível do teu lado, fazer com que o longe se torne perto. Por favor, permita-me sentir com você, sentir o que precisa ser sentido, sem afobações, sem malabarismos, só com o verdadeiro.

Diga, sem receios, o quanto quer algo e não fuja das possibilidades de dar errado, fuja do erro. Se não deu certo na primeira vez, a gente resolve e na próxima não faz o mesmo. Permita-se sentir comigo o que você não sente há tempos, larga de mão desse medo bobinho e não desperdiça essa chance de fazer acontecer. Permita-me saber quão iguais são as nossas vontades, divide o sorvete comigo, deixa eu te lambuzar com brigadeiro e vem no cinema naquela quarta-feira sem graça depois de um dia puxado só para relaxar. Eu não preciso de muito, eu só preciso que você se permita estar comigo.

GABRIELLE ROVEDA.
1997. Escritora de gaveta, bailarina por paixão, sonhadora sem os pés no chão e modelo só por diversão. Do tipo que vive mais de mil histórias pelas páginas dos livros, daquelas que quer viajar o mundo só com uma mochila nas costas, do tipo que acredita no amor a todo custo e dispensa de imediato pessoas sem riso fácil. Não sabe fazer nada direito, mas insiste em acreditar que o impossível é só uma daquelas palavras que vão cair em desuso e se vê tentada a tentar de tudo. Viciada em café e em escrever cafonices sobre si e o amor sem dizer nada ao certo.

2 comentários:

  1. Gabi, amei seu texto! Ficou foda. Parabéns! Adoro o jeito que você escreve e a forma que usa as palavras <3

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    1. Awn Mari, gratidão é receber elogio de quem eu admiro muito! Muito obrigada, de coração! ♥

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