O amor é brega. E quem não é?

terça-feira, 2 de agosto de 2016

O TEMPO É SEU PRÓPRIO DONO.



Titãs musicou o tempo em Epitáfio e nos levou a pensar sobre o modo que postergamos a vida. Se todas as pessoas tivessem consciência que o tempo é seu próprio dono, talvez amores não fossem desfeitos, os adeuses não seriam tão doloridos, o amanhã não seria tão sofrível e a vida fosse um pouco menos pesada. Acontece, que ninguém sabe o que acontecerá daqui a algumas horas, no decorrer de alguns meses ou no caminhar de anos. A gente sempre acredita que teremos tempo. Teremos tempo de abraçar novamente os nossos avós nas férias de dezembro, de agradecer aos nossos pais pelos ensinamentos e correções, de ser amável com quem sempre nos presenteia com um sorriso no rosto, de dizer que amamos e perdoamos as falhas dos outros.

O amanhã é uma falsa promessa. Ele vem e enche os nossos olhos com expectativas e desvia o nosso olhar do hoje – daquilo que é palpável e certo – nos levando a crer que fizemos a melhor escolha. Acontece que a nossa visão é muito limitada. E, muitas vezes, enxergamos dois palmos diante de nossos narizes e tornamos aquilo uma verdade absoluta. A vida se torna – em nossa inocente concepção – imutável diante dos nossos olhos, porque não temos noção de que as pessoas se vão e que vontades mudam a todo o momento. De que a vida não se desenha em linha reta e que nosso conhecimento e visão sobre a vida é realmente limitado.

Para hoje eu te aconselho: não deixe para amanhã. Não deixe para amanhã o beijo de saudade, o abraço afetuoso de quem esperou um dia inteiro, a conversa confortante que um amigo necessita, o “eu te amo” que há muito não te sai dos lábios, o ataque de fofura naquela pessoa que está meio emburrada, o estender de mãos para ajudar a atravessar a estrada da vida, o tornar-se criança – mesmo após um dia exaustivo de trabalho – ao lado de seus pequenos, o perdão necessário para continuar caminhando e tantos outros fatos que não devem, nem por um descuido, se deixar para depois.

O amanhã não nos pertence. Ele é apenas uma possibilidade remota e nada podemos contar com ele. Quem poderá dizer que haverá tempo para se amar novamente? Quem poderá assegurar que o abraço ainda será confortante? Quem poderá nos dar a certeza de que as pessoas, seus sentimentos, suas vontades, são imutáveis? Quem poderá nos afirmar que o amanhã é realmente nosso por direito? O que temos neste momento, meus caros, é o hoje. Ele que duela a todo o momento com o amanhã, mas que ainda assim é o que melhor se apresenta a nós. Por isso: ame hoje, arrisque-se hoje, demonstre hoje, queira hoje, viva hoje. Tatue em seu coração: o amanhã não nos pertence. E as ampulhetas são velozes, o tempo passa rápido demais e a sua urgência é devastadora.



 PÂMELA MARQUES.
 Pâmela Marques é escritora, musicista e apaixonada. Tem  alguns títulos acadêmicos, mas o que realmente importa é que  ela vive para arte. É fã alucinada de Roxette, amante de Caio  Fernando Abreu e admiradora de Tolkien.


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