O amor é brega. E quem não é?

terça-feira, 9 de agosto de 2016

MESMO ERRO



Já passava das 6:00 da tarde — era o horário que ela costumava chegar em casa depois do trabalho —, mas hoje foi o primeiro de todos os dias que serão diferentes e dolorosos daqui pra frente. Ela não chegará mais, pelo menos não mais aqui, comigo não mais. Que estranho!

Não teve culpado ou vítima, teve o fim. Apenas o desastroso e monstruoso final de uma história que teria tudo pra ser longa e linda, mas, pra ser sincero, eu não estava pronto e não posso ter a culpa por isso, eu só não cheguei à tempo do tempo dela, entende? Eu tenho me alimentado dessa explicação pra tentar sofrer menos e deixar de pensar nela o mais rápido possível.

Esqueci de ir ao mercado, de pagar a conta e de lembrar que tenho uma vida independente do desastre que vivo. Esqueci que todo resto existe mesmo que eu não esteja aqui agora, me sinto perdido e faltam muitas partes de mim depois que ela (pausa pensativa), eu, enfim... nós... decidimos que seria melhor acabar com alguns dramas, egoísmos e disputas entre duas pessoas que não entendiam a distância que aumentava a cada dia.

Tô vagando pela casa, procurando alguma coisa pra fazer que me tire a sensação de vazio e sufocamento que me afeta, por ela não estar falando no meu ouvido qualquer queixa supérflua, contando sobre o dia cheio ou até mesmo o silêncio que ela fazia questão de escancarar na minha cara quando estava chateada comigo. Isso me irritava!

Tô pensando no que será que se passa no coração dela agora, se tá doendo nela também ou se tá sentindo um alívio por não ter que competir com outra pessoa pra ver quem sofre, erra ou se afasta mais numa relação.

Deve estar num happy hour com as amigas e declarando como é bom estar livre, com os ombros leves. Talvez esteja se matriculando num curso qualquer pra preencher um pouco mais sua agenda.  Ela sempre dizia isso. Se ela continua a mesma ela deve estar sofrendo. Eu sempre senti verdade no amor que ela tem, tinha... por mim.

Eu reparo e percebo que fui capaz de me jogar no sofá sem sequer retirar os sapatos e a vida está seguindo, me deixando pra trás, me fazendo notar o quanto pode ser pior ficar onde estou sem partir pra encarar os fatos, ou sair feito louco pra consertar algo que de repente nem estava tão quebrado assim.

Me falta coragem e já são quase 22:00, melhor deixar pra amanhã e repetir o mesmo erro cometido até aqui, de perder as chances por falta de coragem, por não querer abrir mão de uma palavra dita que nem faz mais qualquer diferença.

JOANY TALON.
Pra quem acredita em horóscopo é Canceriana, nascida em Araruama no dia 15 de julho de 1986, assistente social pela Universidade Federal Fluminense, e agraciada por Deus pelo dom de transformar em palavras tudo que sente, autora dos livros “Cotidiano & Seus Clichês” e “Intrínseco” e co-autora no livro “Pequenices Diárias”

1 comentários:

  1. que lindo texto, Joany.. espero que atitudes acabem sempre falando mais alto ♥

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