O amor é brega. E quem não é?

quinta-feira, 21 de julho de 2016

O DIA EM QUE ELA SE FOI.



Um dia ela cansou de viver na dúvida e resolver se arriscar. Nesse dia se despiu dos seus medos e vestiu uma coragem que jamais imaginou que tinha. Em sua mente o único pensamento era o de não arrepender de se permitir.

Se permitir chorar sempre que quisesse, se permitir rir de coisas sérias, se permitir tocar o foda-se pelo menos uma vez na vida, se permitir esquecer dos outros e ser um pouco egoísta, se permitir ser feliz sem se preocupar com o que outros achariam disso.

Ela saiu de seu casulo, mas ainda não era uma borboleta, e só então descobriu que o casulo é apenas uma forma de se proteger, mas é a liberdade que transforma a lagarta em borboleta. E era isso que ela queria, descobrir qual era o seu caminho de tijolos amarelos, qual era o seu objetivo, qual era o seu motivo para sempre acreditar na esperança.

Então não planejou nada, não pensou em como seria o dia de amanhã, nem se no mês que vem já teria voltado à sua vida de antes, ela apenas foi. Desde que ela se foi, viveu alegrias e tristezas, conheceu novas pessoas, mas também teve que lidar com a dor das partidas. Aventurou-se por locais onde jamais imaginou ter coragem de ir, fugiu de outros que tanto sonhou em visitar. Passou noites inteiras em claro e longos dias sem sair da cama. Amou, foi amada, e desamada. Sofreu, ficou triste e se recompôs. Chegou ao fundo do poço algumas vezes, mas fez como a fênix e das cinzas se recriou.

Ela se foi há tanto tempo, mas poderia ter sido ontem, ou poderá ser amanhã. Ela já não liga mais para as regras que o mundo impôs para seguir, pois em seu mundo apenas ela é quem faz as regras e por isso tem o direito de quebra-las sempre que quiser.

Ela, que cansou de esperar, fez acontecer, que cansou da imparcialidade, optou por si mesma. Ela que sempre foi ela, e nunca foi outra, continua sendo a mesma, com suas confusões e desilusões. Mas ela descobriu que quando a mudança vem de dentro, não importa que por fora você continue a mesma.

Desde o dia que ela cansou e se levantou, ela nunca mais voltou, pois descobriu que melhor do que ser uma é a possibilidade de ser muitas. Ela descobriu que não queria mais ser uma dela, mas sim varias “elas”, e cada uma tem um pouco para aprender e para ensinar, e se tudo der certo, ela se foi para nunca mais voltar.

TAMARA PINHO.
Jornalista por amor (e formação), mineira, e sonhadora como uma boa pisciana. Vivo na internet, então é fácil me achar. Acredito que a escrita é libertadora e nos possibilita viver em diversos mundos ao mesmo tempo.

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