O amor é brega. E quem não é?

quarta-feira, 6 de julho de 2016

AOS TROPEÇOS E ACERTOS



Desejei muito dias mais tranquilos, sem me sentir nessa montanha-russa frágil chamada vida. Mas não tem escapatória. Às vezes até dá vontade de mudar uma escolha, voltar no tempo, tomar decisões passadas com a sabedoria de agora, tomar decisões agora com a sabedoria ainda por vir. Fica parecendo até vontade tola. Vontade de criança. E é a coisa mais normal do mundo, acredite. Só não é real.

Independente de quem você é, todos nós só podemos olhar para os nossos próprios pés, os que fazem o caminho nesse instante e nos auto guiar para os próximos passos. E isso não é fácil. É confuso. Pode ser libertador, pode dar medo. Pode ser bom ou ruim. Pode ser sua saída da zona de conforto. Gera um misto de sensações. Algumas vezes você sente todas elas em um único dia. Ontem queria tanto. Hoje já nem sei mais. Algumas coisas pareciam as melhores do mundo e agora não são nada. 

Eu envelheci sem perceber, mudei sem querer e nem sei mais aonde quero chegar ou quando comecei a caminhada para ser quem sou agora. Sou alguém longe de mim, de quem eu esperava me tornar. Mas ao mesmo tempo não tão longe do meu antigo eu, não tão longe de quem eu agora quero ser. É contraditório, eu sei bem. Alguns anos atrás queria conquistar o mundo, mas bastou crescer só um pouquinho para ser corroída e deixar muitos sonhos no chão. Vários sonhos que ainda consegui carregar mudaram. Fui despedaçada com o quão o mundo pode ser cruel, com notícias do jornal, com os socos que a vida te dá, te deixando cego, sem saber como progredir. Mesmo sendo muito alertada é quando crescemos que sentimos na pele. Nos ossos. Nos olhos.

Lidar com constantes mudanças de humor, de metas, dos meus sentimentos, dos sentimentos dos outros. Da vida. Sentir o chão sob os seus pés sumindo e três dias depois ganhar a coragem para enfrentar o universo inteiro de peito aberto e o que mais entrar na minha frente. Querer um relacionamento para a vida toda e no próximo mês não acreditar no amor. Querer sumir no meio das minhas cobertas e achar que assim nada mais de ruim pode acontecer, mas no fim de semana querer explorar pedacinhos perdidos na cidade com quem me faz bem.

Achar que estou fazendo algum progresso. Mas então ter a sensação de não ter saído do lugar a muito tempo. Molhar os pés na água gelada destemido como uma criança e se aquecer com tudo de bom que o mundo pode dar. Chorar até sua cabeça doer. Rir até ficar sem ar. Ser pego de surpresa, se desviar do caminho que você sempre quis trilhar e hoje já nem sabe mais qual é o certo. Ou se ele realmente exite. Estar em casa. Não se sentir em casa. Viver intensamente. Deixar a vida escorrer pelos seus dedos. Ter garra. Perder a fé. Ter fome de descobrir o mundo. Ter medo do mundo. Ele é grande demais pra mim. É pequeno demais pra mim. Perder toda sua esperança na humanidade e encontrar de novo. Ter receio do amor. Se apaixonar loucamente.

Assim eu sigo. Aos tropeços e acertos.

*Fonte da imagem*


TATIANE ARGENTA.
20 anos, paulista. Escritora de bar e cafezinho, romântica incorrigível que tem tanto medo do futuro quanto você. Inúmeras incertezas e conflitos no peito como qualquer um, mas que sabe por isso no papel. Assim como outros sabem cantar.

1 comentários:

  1. Ah, os caminhos...
    Texto bem leve pra que os pensamentos se encontrem com o coração e sintam melhor a vida.

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