O amor é brega. E quem não é?

quinta-feira, 28 de julho de 2016

A VIDA É UMA ETERNA E DELICIOSA BAGUNÇA



Isolar-me de tudo talvez seja a solução, mas é impossível conter os meus pensamentos que gritam, os olhos vidrados no teto, o sono que demora a chegar. Acordar é um martírio, me olhar no espelho é uma tortura, tanta coisa lá fora e eu enclausurada nos meus pensamentos.

Ânimo falta, desejos parecem escassos, borboletas mortas no estômago. As músicas já não me emocionam mais, os pássaros continuam cantando perto da janela do meu quarto, tenho cá comigo que eles sopram um pouco de alegria, cantos cheios de levezas que por momentos me fazem desconectar.

É difícil encarar a realidade, rasgar o meu peito, mostrar minhas falhas e sair disposta a viver. Ao ver a frase da Mafê Probst, “Eu bem tentei fugir, mas na verdade é imenso o sentir. Alguns momentos, é fraqueza ser forte tempo todo.” eu percebi que não posso ser forte o tempo todo, ninguém é, então por que eu devo ser? Tenho os meus medos e fugir não irá resolver as coisas. Não é certo negar os meus erros, eles não anulam as minhas chances de recomeçar e me jogar na bagunça que há na vida.

E olha quem aparece novamente, a Mafê: “A vida é uma eterna bagunça”. Todos os medos, traumas, anseios, problemas e grilos são meus e eu devo decidir o que fazer com eles.

Vejo-me nua diante de tanta bagunça, uma vontade imensa de me organizar e se for necessário desabar, eu desabarei para mais uma vez me reerguer. Vou seguir rasgando o meu peito e colocar para fora os pensamentos que são negativos.

Alguns sonhos voltam mais acesos, alguns medos permanecem, mas travo uma batalha diária. Tenho conhecido mais pessoas, vivido novos amores, tenho me jogado sem medo. Estou acumulando bagagens encantadoras, colecionando sorrisos e olhares. Talvez, tudo passe a não fazer sentido, mas aprendi que tudo é passageiro, e não se arriscar faz com que a vida seja monótona e sem graça.

Aprendi que é preciso assumir as fraquezas, dar a volta por cima e mostrar quem manda no jogo, é preciso se vestir com bons sentimentos, abrir e o coração e deixar o amor entrar, sacudir o tapete, tirar a poeira e deixar lá fora o que tira o nosso riso, o que trava a nossa fé, o que tira a nossa vontade de seguir adiante.

“A vida é uma eterna bagunça”. E a gente deve ir se ajeitando, caindo, levantando, mas a gente não pode é perder o jogo de cintura. Olho-me no espelho e pergunto: Quem manda no jogo? Quem deve se orgulhar de toda trajetória até chegar aqui? A resposta encontro muito além do meu olhar refletido no espelho.


KAL LIMA.
Poetisa, uma baiana com a alma no mundo e os pés em um rincão incrustado no Sertão. Sou uma garota-mulher apaixonada pelos encantos que o amor traz. Falo muito, sinto muito, nas palavras encontro o meu cais, é o meu jeito de transbordar.

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