O amor é brega. E quem não é?

quarta-feira, 29 de junho de 2016

SEJA PARTE DA MINHA LOUCURA


Vi você chegar, se aconchegar num cantinho, roubar um sorriso bobo sem qualquer intenção e nem percebi quando comecei a te querer cada vez mais perto. Você que com esse seu jeito de agir meio torto, sua forma de ver o mundo distorcido de opiniões alheias e essa maneira de se apegar aos detalhes, fez com que eu reparasse justamente naquilo que deveria deixar passar. Não são esses teus olhos com um brilho diferente, muito menos tua mania de estalar os dedos ou teu jeito de desarrumar o cabelo, para ser sincera nem percebi direito o que me fez te perceber.

Pensando bem eu adoraria dizer que não prestei atenção em nenhuma linha de expressão no seu rosto e muito menos naquela curvinha bonita do seu sorriso. É sério, adoraria dizer que não pensei em você hoje, nem ontem ou que talvez tenha pensado somente na semana passada, mas não vejo a hora de sair daqui e te levar na bagagem da minha loucura. Não sei se você sabe, mas embora não aparente tanto, sou um poço de confusão e insanidade e olha só onde você se meteu. Pense bem, ainda dá tempo de fugir, porém eu, se fosse você, ficaria.

Ficaria para eu poder te puxar pela mão à beira-mar, te levar olhar a lua numa imensidão de tons de azul que desanda no horizonte e depois encarar as ondas mornas do anoitecer sem preocupações. Sabe, eu, se fosse você, ficaria porque não é todo dia que se encontra alguém querendo sentir a vida num misto de coragem e covardia. Ficaria para estacionar o carro na beira de um rio só para ouvir o barulho da correnteza virar melodia numa noite fria, para compartilhar o aquecer de uma pequena fogueira crepitando sob a luz de um céu estrelado e dormir em pleno inverno com uma coberta suave ou a preferência por um calor humano entre os desconfortos de uma cama ao relento improvisada.

Não é como se eu quisesse uma vida inteira do seu lado e sim só algum tempo, acho que apenas o suficiente para nos tornar inesquecíveis. O suficiente para ter algo bom para lembrar da gente, algo do qual não beire as linhas do esquecimento ao passar dos anos. Gosto de você e por esse motivo acho as coisas costumeiras tão sem sal para nós dois, contigo eu quero um pouco mais de insanidade, consegue entender? Não quero que seja doce, nem que dure até o fim dos fins, quero apenas que permaneça a essência de uma saudade boa de ser lembrada, de um sentir falta gerador de uma bela insônia de vez em quando.

Quero que você fique agora, que permaneça no meu abraço, que brinque com meu cabelo, me arrepie o pescoço com sua respiração entrecortada e deslize sua mão gelada pelas minhas costas, que me beije com calma e que vez ou outra entre na minha brincadeira de provocar e me provoque. Eu te quero aqui, hoje, só um pouquinho. Não te peço todo seu eu, nem que me conte suas frustrações, só divida comigo aquilo que te fizer bem e dividiremos de um bem maior em conjunto. Quero saber tuas vontades doidas e se possível fazer com que elas aconteçam, quero ter o que lembrar e quero que seja ao teu lado por um momento. Só te peço que seja parte da minha loucura e eu serei, com toda a certeza parte da sua.


GABRIELLE ROVEDA.
1997. Escritora de gaveta, bailarina por paixão, sonhadora sem os pés no chão e modelo só por diversão. Do tipo que vive mais de mil histórias pelas páginas dos livros, daquelas que quer viajar o mundo só com uma mochila nas costas, do tipo que acredita no amor a todo custo e dispensa de imediato pessoas sem riso fácil. Não sabe fazer nada direito, mas insiste em acreditar que o impossível é só uma daquelas palavras que vão cair em desuso e se vê tentada a tentar de tudo. Viciada em café e em escrever cafonices sobre si e o amor sem dizer nada ao certo.

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