O amor é brega. E quem não é?

segunda-feira, 27 de junho de 2016

E ASSIM NASCEU O MEU AMOR

Eu te amei quando tu desocupou a cadeira ao teu lado para que eu sentasse. Foi um gesto delicado, sutil, quase imperceptível, mas de quem queria que eu estivesse ali. Acomodei o meu corpo despojado e conversei abertamente sobre a vida como quem não tem nada para fazer numa segunda-feira à tarde. Entrei na tua vida e não saí nunca mais.

Eu te amei quando contou um segredo só pra mim e a mais ninguém. Um detalhe particular da tua vida, um gesto de confiança inigualável que fez com que eu me sentisse o homem mais importante do mundo naquela hora, cuja opinião realmente tinha um peso capaz de desanuviar as tuas dúvidas. Confiei em ti e não desacreditei nunca mais.

Eu te amei quando, no meio de tanta gente, tu mirou o meu copo e brindou comigo. Sorriu para mim como se eu fosse o único entre todos, fitou o meu olhar como quem sabe exatamente a atenção que quer. O charme daquela tarde fez meu coração pulsar como a bateria de um carro velho há muito tempo desligado. Foi a faísca que bateu o arranque e não desligou nunca mais.

Eu te amei quando ganhei um abraço inesperado, especial e diferente. Teus braços entrelaçados no meu pescoço e a aproximação de nossos corpos com aquele disfarce de amizade misturado à ansiedade do bem-querer. Senti o teu corpo esguio tocando levemente o meu e teu perfume tomou conta daquela atmosfera particular que criamos, só os dois, e ninguém percebeu. Fiquei envolvido e não desprendi nunca mais.

Eu te amei no primeiro beijo. No olhar que o antecedeu. No teu sorriso de moleca regado a vinho, na displicência dos teus movimentos que davam a certeza de querer exatamente estar ali comigo. Naquela hora, o relógio parou e nunca mais vi o tempo passar ao teu lado. Te quis dali em diante para não parar de querer nunca mais.

Eu te amei quando tu me chamou aos prantos pedindo socorro. Lembrou de mim como porto seguro e acreditou que eu era o cara certo para solucionar todos os teus problemas. Fiquei ao teu lado, tentei dizer as palavras exatas, desliguei de todo o resto e quis somente ser teu naquela hora. Passei a ser teu, só teu, e de ninguém mais.

Eu te amei quando te vi acreditar em mim ao passo que todos os demais já haviam desistido. Recebi teus conselhos, baixei a guarda, deixei de lado a teimosia. Resolvi mudar por não querer mais ser o mesmo turrão, porque teus carinhos adoçaram a minha amargura e devolveram a esperança ao meu coração cansado. Que agora pulsa enormemente e não quer parar jamais.

Eu te amei e tenho te amado o tempo todo. Como sempre quis e achei que não mais pudesse, que não mais tivesse condições. Tu me devolveu a chance de amar e a ti entrego o que de mais genuíno há em mim por entender que este é um sentimento único e que dificilmente se repete. Me reinventei, me amei outra vez e por conta disso permito que agora tu sejas a dona do meu coração. Entrego ele a ti e te peço: não o devolva nunca mais.

PS: lembrem-se, amigos, que o amor não conjuga verbos. Escrevi errado porque fica mais bonito e porque sou apenas um gato. Um gato que ama.

OCTAVIUS, O GATO
Sou um gato de bigodes que ama. Mas o que é o amor? Entre outras coisas, ele também é anônimo às vezes. E é por isso que não estou aqui para dizer coisa com coisa. Não tente me entender, tampouco me julgar. Apenas ame comigo. Miau!

2 comentários:

  1. esse é o meu favorito, de todos. Essa singularidade que cê fala do amor fugindo completamente da forma que você escreve me rouba a cena. Me envolve.

    Eu queria não saber dos teus sentimentos.
    Mas acho que sei.

    Beijos beijos beijos

    ResponderExcluir
  2. Nossa!
    Totalmente NOSSA!
    Suspiros e pensamentos... Que texto!

    ResponderExcluir