O amor é brega. E quem não é?

segunda-feira, 2 de maio de 2016

O JOGO VIROU, AMOR.



Eu vi você indo  aos poucos  embora da minha vida. Cada dia que passava você ficava mais distante e ausente. Suas ausências e saídas me doíam nos nervos. Eu vi, claramente, você se apagando dos meus dias bem devagarinho. E pra quem já fez de tudo, essas horas não teria mais nada para fazer a não ser: aceitar. Eu senti  com o coração  você partindo, pois já não sentia mais a sua presença aqui, nem ali. Quanto mais você se afastava, mais aumentava o vazio aqui dentro. Quanto mais longe você ficava, mais me sentia incompleto. 

Tudo aquilo que fazíamos juntos ficou nas lembranças. Eu tentava, de qualquer forma, não pensar em nós, mas em todo canto que eu olhava e em todo lugar que eu estava, rapidamente, lembrava de cada detalhe seu. Você pode ter ido embora da minha vida mas deixou todos os seus gostos e manias aqui comigo. 

Foi difícil, no começo, tentar te apagar da minha mente, da vida, do coração. Mas os dias foram passando e eu, devagarinho, fui me reinventando e juntando pedacinho por pedacinho que você quebrou, para me completar novamente. Eu consegui erguer a minha vida sozinho, sem a sua ajuda, de amigos ou de familiares. Acho que ninguém saberia cuidar da dor que eu mesmo causei tentando cuidar de você. E que só eu mesmo, no fundo, poderia cuidar e curar.

Depois de vários cafés fortes e porres insanos notei que a única companhia que eu precisava era a minha. Foi numa roda de meia dúzia de amigos e amigas que eu me dei conta  sorrindo —,  conversando só sobre coisas boas o quanto era bom estar comigo mesmo. Depois de dispensar tantas pessoas  que ali me queriam para pura diversão  notei que não fui eu quem perdeu ao te ver partir da minha vida, mas sim, você. Por que no fundo eu sempre fui uma pessoa bacana, que todos queriam estar ao lado, abraçando, sorrindo, trocando palavras, mas só você que não. E agradeço por ter ido, assim acabou abrindo espaço para novas pessoas entrarem e preencherem o seu vazio.

E foi numa dessas noites de muito porre, curtindo o melhor show da minha vida que você me ligou como se eu lhe fizesse falta, com aquela voz rouca de uma pessoa embriagada dizendo estar com saudade. Com certeza eu reconheci sua voz na hora, dei mais um gole na minha vodka, respirei fundo e lhe desejei um bem enorme, porque agora eu realmente não queria mais. Quando te dei a chave do meu coração, você não soube usar. Grande oportunidade que tu perdeu, agora é tarde. Tudo bem que a chave ainda pode estar contigo, mas para eu viver bem, troquei  do meu coração  a fechadura, só para não te ver entrar nunca mais.

2 comentários:

  1. Não sei o que comentar,mas preciso dizer que foi lindo. ...Parabéns .

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  2. Do tipo de texto que em outros momentos da vida, a gente imprime e manda pros (des)amores perdidos. Muito bom!

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