O amor é brega. E quem não é?

segunda-feira, 16 de maio de 2016

DAQUILO QUE APRENDI COM A VIDA

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A gente cresce e começa a perceber que a vida é quase como um jogo de aprendizados, a gente vai perdendo ou ganhando muitas vezes, mas no fim sempre sai vitorioso de alguma forma. Cada momento traz algo novo e significativo que podemos levar como aprendizado, tem coisas que nem sequer percebemos durante e sim vamos passar a entender anos mais tarde seus porquês. Viver é jogar limpo com si mesmo.

Não digo que aprendi pouco, nem muito, digo que aprendi o suficiente. Aprendi, por exemplo, que se importar com pequenas coisas fúteis é perda de tempo, mas dar valor à atos simples é libertador. Me diziam que ganhavam buquês de rosas vermelhas e brancas e eu não entendia tamanha gratidão por essas e desprezo por uma margarida de jardim. Sabe, eu sempre preferi as margaridas perdidas por aí, elas são mais a minha cara e combinam com o meu cabelo quando colocadas apoiadas na orelha, são mais o meu jeito livre de ver o mundo. E eu aprendi a dar valor para esse tipo de pequenas coisas. 

Aprendi também que o amor vem sem querer e que as pessoas as quais amamos vão embora quase do mesmo jeito. Além disso soube que amar é deixar ir, sem correntes e amarras, pois o amor não tem clausuras que sustentam a tese de posse. Amar é aceitar o destino do outro, as suas escolhas e saber agradecer por ter tido a chance de viver grandes momentos que por mais longe que hoje estejam já nos alegraram. Aprendi a não guardar rancor de ninguém e a não despejar ódio gratuito por aí. Cada qual com seus motivos para agir de tais formas que não aceitamos, basta compreender e usar um jogo de cintura para escapulir do que tenta nos machucar. Vingança nunca foi a chave para nada e nunca será, está aí outra coisa que aprendi. 

Aprendi que a vida corre rápido e que aos quinze não se vê a hora de chegar aos dezoito e dali em diante não se perde tempo querendo envelhecer. Com isso aprendi a levar a criança que fui um dia pelas mãos para onde eu fosse e sorrir um riso largo para o adulto que formo aqui dentro. Aprendi a cuidar de mim e admirar o meu passado, aproveitando o presente e com meus olhos no futuro. Aprendi que o que faço hoje é consequência do que fiz e provavelmente um passo a frente do que quero fazer. Soube que o caminho para alcançar o que queremos nunca vai ser tão fácil quanto parece, mas que a partir do momento em que se põe os pés na trilha voltar atrás é fracassar. E eu nunca fui alguém que gosta de desistir. 

Aprendi a andar de bicicleta nas avenidas da vida, a me levantar de tombos feios e beijar o joelho sozinha para sarar mais rápido. Nadei nos oceanos das mágoas e fugi de lobos carnívoros por florestas sem fim com medo e muita coragem, embora pareça contraditório. Aprendi com isso que é importante ter medo sim, o que não vale é deixar ele ser maior do que a coragem de viver. Aprendi que certas conversas são músicas para os ouvidos e que algumas presenças silenciosas valem mais que grupos de amigos rindo à toa. Aprendi que um sorriso verdadeiro não se compra num bar à meia-noite dividindo bebida com um bando de gente que se viu algumas vezes, mas sim é tão involuntário que nem se percebe as curvinhas da boca se moverem para cima, seja no bar ou na cafeteria da esquina.

Aprendi tanta coisa e dentre elas a principal: podemos viver uma vida e não vamos ter aprendido tudo, não vamos ter explorado tudo e não vamos ter vivido tudo o que a gente queria. E mesmo assim, mesmo sabendo do fim não desistimos da vida. Não desistimos porque confiamos no amanhã, não desistimos porque aprender é da nossa essência. Em algumas primaveras vividas e várias margaridas na orelha espero jogar muitas vezes mais esse jogo da vida.   

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