O amor é brega. E quem não é?

terça-feira, 10 de maio de 2016

CAMINHOS DA FELICIDADE


Roteiros de vida, receitas de bolo, manuais de autoajuda, guias prático para alcançar a felicidade e conquistar um padrão de vida – como se a felicidade fosse um padrão. A sociedade esboça modelos preconizados de como deve ser a vida perfeita, o relacionamento perfeito, a roupa ideal para este ou aquele momento, o produto que confere status, o perfume afrodisíaco que lhe permite comer aquela mulher (será que ela goza utilizando o olfato?!). Muito além do simples apelo comercial, somos a todo instantes conduzidos como fantoches, verdadeiras marionetes do modismo a comprar a suposta felicidade. Pessoas que, mesmo insatisfeitas com determinado estilo, levantam bandeiras e seguem uma legião que acredita ferrenhamente que viver se resume a isto. Mas quanto vale essa tal felicidade? 

Se alguém souber o valor exato, a fórmula perfeita ou a medida ideal, por favor, me avise. Sou capaz de contratar um empréstimo e pagar longas prestações, apesar de acreditar que não podemos comprar a felicidade, mas sim adquirir momentos louváveis e que, por isso, expressam grande êxtase — no entanto não representam a plenitude. Basta abrir a caixa de e-mail e comprovar que preciso aumentar meu pênis em uma semana, ou aproveitar o último dia para comprar qualquer produto ofertado. Pior ainda é comprovar que as mulheres também são abordadas pelos apelos penianos – num dia desses, minha mãe recebeu uma oferta para alongar o pênis – acho que a confundiram com a Rogéria ou não conseguiram o endereço eletrônico do meu pai e indiretamente tentaram alcança-lo. 

Sinceramente, não preciso seguir padrões para encontrar a felicidade nem tão pouco pesquisar no google o segredo da sedução. Se eu sentir vontade de ir ao parque aquático de calça jeans ou assistir ao casamento do meu primo de chinelo Havaianas e blusa de malhas, de forma alguma deixaria de aproveitar e satisfazer as nuances do meu objetivo, mas com certeza, o maldito olhar social iria me subjugar – posso imaginar aquela adorável tia fofoqueira dizer: “eu sabia que este moleque usava drogas, eu sabia”. Mal sabe ela que toda droga ilícita que me recuso a experimentar é ofertada por seu único e estimado filho – aquele playboy que vive a dizer que a violência no Brasil é sufocante, mas adora financiar o tráfico. 

Talvez este posicionamento humano seja capaz de explicar a onda de desamor que paira no ar; tudo é artificial. Um devaneio de sorrisos falsos, aspecto físico forjado, interesses materiais e uma gama de desejos inescrupulosos onde o objetivo final é a obtenção de vantagem. Não importa a ferida causada, lagrima derramada ou efeito proporcionado. Acabo de lembrar que ano passado comprei três livros de autoajuda com os seguintes títulos: 1. Como dormir pobre e acordar rico? 2. Receita do relacionamento ideal 3. O caminho para a felicidade. 

Posso seguramente afirmar-lhes que estou pobre e solteiro, mas encontrei o caminho para a minha felicidade e não pretendo retornar ou desviar a rota.

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