O amor é brega. E quem não é?

quinta-feira, 28 de abril de 2016

ONDE VOCÊ SE ESCONDEU?



Onde você se escondeu? Talvez nos meus sonhos ou quem sabe na próxima esquina, algo ainda me prende na nossa história, aquela que ficou lá atrás, há nove anos.

Durante muito tempo me questionei onde você se escondeu. Você tem noção das diversas vezes que eu passei por você e você, simplesmente, não me notou? Eu nunca tive coragem de falar uma palavra sequer. O tempo foi generoso comigo e não lhe culpo por não me reconhecer,  porém, eu ainda sei que o seu chiclete preferido é o de menta e que você usa o mesmo perfume de segunda a quinta, só muda  na sexta,  usando o mesmo cheiro até o domingo.

Pela manhã você tem o costume de tomar café com leite e comer pão de queijo. Nunca larga o seu celular, nem na hora do almoço. Algumas coisas nunca mudam: suas manias e os meus sentimentos, com certeza são algumas delas. Até que um dia o acaso resolveu facilitar. Pegamos o mesmo trem e não tive como fugir. Acho que você reparou o tanto que eu te olhava, pois ficou olhando para mim por algum tempo. Eu não tinha como correr ou me esconder, o trem estava cheio (embora confesse que para mim só tinha você ali).

Você permanecia exatamente igual, com aqueles olhos penetrantes e aquele sorriso que encantava. Naquele instante passou um filme em minha cabeça.  Me questionei onde você se escondeu durante todo esse tempo. Você nunca mais me olhou nos olhos, nunca mais nos encontramos, o tempo passou e a nossa vida seguiu.

Você se aproximou. Minhas mãos suavam e você me perguntou:

— Não te conheço de algum lugar?
— Sim, do seu passado.
— Então, me diz, em que lugar do passado eu abandonei essa bela moça?
— Em uma festa de quinze anos.
— Mariana, é você?
— Sim, Carlos. Mudei muito?
— Mudou, mas teus olhos permanecem os mesmos.
— O seu sorriso também. 

Naquele momento tive certeza: o sentimento não tinha morrido. Eu nunca tinha lhe esquecido. Sabia exatamente que você era meu primeiro e único amor, não dava para fugir daquilo. A menina inocente e boba não mais permanecia em mim, mesmo que naquele instante ela insistisse em sair.

Com aquele reencontro, tive a certeza e o conhecimento de que primeiro amor realmente é para sempre. Seja como for, na lembrança, coração ou na vida. Primeiro amor é único e reencontrá-lo é algo inexplicável.

O Carlos foi meu primeiro amor e após aquele encontro do trem, prometemos nos encontrar novamente. Ele me disse que nunca me esqueceu, afinal primeiro amor a gente nunca esquece.

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