O amor é brega. E quem não é?

quarta-feira, 27 de abril de 2016

O TEMPO, ESPAÇO E A VELOCIDADE MÉDIA COM A QUAL ME APAIXONEI.



Detesto despedidas. 

Mas como elas são inevitáveis, eu desejo que a gente saiba fazer delas uma ocasião especial. Você tem mais duas chances pra tentar esse feito. O nome da primeira é Tempo e o da segunda é Espaço.
Qualquer pessoa que tenha assistido alguma aula de física, vai sacar na hora que essas variáveis resultam na velocidade média de alguma coisa, no meu caso, resulta na velocidade média com a qual me apaixonei por você, em um curto intervalo de tempo e em um espaço pouco propício para o amor.

Quem diria que dividir um táxi, do Tatuapé até a Av. Angélica, com um desconhecido só pra economizar um pouquinho iria me render noites mal dormidas e olheiras incorrigíveis. Aquele silêncio que, de início só foi quebrado pelo motorista, não era tão desconfortável assim, mas foi só Nando Reis tocar na rádio do carro, eu cantarolar de cá e você cantarolar de lá que a conexão nasceu. Tudo fluiu. E eu percebi que pra você guardei o amor que nunca soube dar.

No percurso eu contei sobre meu trabalho, a vontade de viajar o mundo, de entrar pra uma ONG e salvar alguma espécie da extinção — que tal a nossa? —. Você contou sobre seu sobrinho, a mudança de estado — o sotaque já tinha entregue que o Rio te mandou pra mim —, o emprego novo e o apê alugado. Naquele espaço do banco de trás de um táxi qualquer a gente se entendeu, em pouco tempo de conversa as afinidades foram explanadas e a velocidade com a qual eu ia te querendo pra mim só aumentava, eu ia criando um enredo de amor, já tenho tudo tramado...

Foi tudo muito rápido, o que me assustou, mas mesmo assim, eu continuava torcendo pro trânsito engarrafar, travar, parar, mas ele fluía livre de qualquer caos, só pra me contrariar.

Tempo. Espaço. Você. O resultado só poderia ser a velocidade média com a qual me apaixonei, me entreguei sem nem saber quem você era de fato, mas eu já sabia que era meu. O Rio te mandou pra mim, eu já falei, pode acreditar. E agora eis-me aqui, nessa despedida de aeroporto mandando você de volta pra lá. Só saiba remar de volta, pra fazer de mim teu porto seguro. Pois essa nossa equação também se aplica à saudade.

Só não demora moreno!

*Fonte da imagem*

2 comentários:

  1. Ai que delicia de amor, de paixão, de texto. Poderia ficar lendo isso aqui por horas.... ❤ Adorei cada linha Jô.

    www.eurenata.com

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  2. Ai Renata, que maravilha poder ler isso! Obrigada pelas palavras, viu? É esse sentimento que nos faz escrever todos os dias pra vocês, pq além de brega, o amor é lindo ❤

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