O amor é brega. E quem não é?

quarta-feira, 6 de abril de 2016

LECITINA



Tão estranho que podia chamar de nosso. 
Tão novo que podia chamar de vivo. 
Tão bobo. 
Tão bravo. 

Tanta volúpia nos nossos olhares. 
Tanta pureza nos nossos vícios.
Tão estúpidos.
Tão rasos.

Tanta burrice que podia chamar de minha.
Tanto passado que podia chamar de história. 
Quão fútil.
Quão inócuo.

Não há nada no presente que nos deixe entretidos. 
Não existe viver o hoje para quem já teve aquele ontem. 
Mesmo que o futuro não seja nosso. Não é possível dizer só por hoje. 

Você experimentou a desgraça que é amar. 
Foi longe demais no seu vício e também me levou ao inferno. 
Tão ingênua. 
Tão pura. 

Não há remédios ou doses. 
Vacinas ou receitas. 
Não há saída daqui quando se vem de verdade. 

Você buscou o céu na terra. E como isso não é possível teremos que conviver com os demônios que despertamos. 

Aceita mais uma dose? Acredito que não.

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