O amor é brega. E quem não é?

terça-feira, 12 de abril de 2016

AS SUAS IDAS NUNCA DEFINITIVAS





Ainda está fresco na memória. As semanas passam, os meses empurram a rotina e, quando dou por mim, o coração ainda encontra forças para se derreter numa saudade bonita que não se explica, apenas acontece. É como se a vida fizesse questão de me lembrar eventualmente que ainda há espaço pra você aqui. Seja na cama, na poltrona ao lado da minha ou mesmo esparramado no tapete da sala. Fazer nada com você sempre me pareceu um convite irrecusável.

Esbarro no seu cheiro e isso é suficiente para que o juízo se ausente e o corpo padeça da carência dos seus braços em volta da minha cintura. Falta você no sofá me contando seus casos mal resolvidos, com a cabeça deitada no meu colo enquanto meus dedos brincam de desvendar os seus cabelos. Falta você na fila do cinema me segurando a mão enquanto a gente decide qual filme não será assistido naquela tarde. Falta você me ligando de madrugada pra contar que tá com saudade e que não seria má ideia ter os meus braços para te acomodarem quando chegasse em casa.

Ainda esbarro em detalhes que me arranham o peito e me fazem querer sair por aí atrás de você. Se chover, a gente se molha; se fizer frio, os nossos corpos se aquecem; se o outono chegar antes da hora, com certeza  repousaremos nossas histórias debaixo de alguma árvore amarronzada pelo clima da estação.

Encontro soluções práticas e até imediatas para qualquer dúvida que possa surgir, só não encontro meios de deixá-lo adormecido. Você se acende de repente, me puxa pela mão e me desnorteia. Ao mesmo tempo que tenho certeza que preciso te deixar ir, me lembro da paz que sinto quando resolve me fazer companhia. É um jogo sujo esse que sua presença faz com a minha vontade. É como se eu fosse testada a escolher entre você e a vida tranquila que tanto tenho esperado. Porque a gente sabe que a farra é boa e que você nunca chega em silêncio, sempre vem com incertezas e aflições, sempre tira o meu eixo e me deixa anestesiada pelas frases bonitas que sussurra, enquanto explica a falta que sente do meu beijo. Eu já não banco mais a durona, nem sequer dou espaço pro orgulho tomar conta, eu me entrego sem pensar duas vezes, porque sei que, com você, as coisas realmente são diferentes.

Fica. Não vai embora! Não maltrata a gente. Tenta. As idas nunca são definitivas, porque se fossem você não voltaria para mim. Pra nós. 

6 comentários:

  1. Você resumiu minha vida aqui... Textos belíssimos! Amo!

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  2. Você resumiu minha vida aqui... Textos belíssimos! Amo!

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  3. Ah... O amor dispensa razão, juízo, orgulho, ...
    Lindo texto, Marcely! Um talento incrível... =)

    Grande beijo e fique com Deus!

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