O amor é brega. E quem não é?

quinta-feira, 21 de abril de 2016

AMAR EM SILÊNCIO


Dizem que existe tempo para todas as coisas. E até para o amor há tempo de falar e tempo de calar.

No início é aquela coisa estranha da obrigação de preencher as pausas. Depois, com o tempo, se descobre que quem ama, cala. Não porque a língua engrossa em mágoa ou se afia em zombaria. Mas porque no amor se encontra o silêncio que aquieta, adiciona, coopera, constrói e fundamenta ainda mais.

O silêncio de quem ama respeita a opinião do outro mesmo que ela seja diferente e totalmente contrária à sua. Você ama assim mesmo, pois opiniões vão e vem, enquanto o amado permanece. Não quer dizer que não existem discussões. Essas vão sempre existir. Mas quem ama adquire o sexto sentido de saber quando basta. A partir dali o sorriso vale mais.

É também aquele olhar que entende a dor do outro. Abraça sem tocar. Consola sem falar. Respeitar o silêncio da dor é amar consciente e com a razão. Pois quem escolhe ver a dor do outro sem nada poder fazer, ama sofrendo, mas ama. Afinal, sabe que existem situações que não tem como ser divididas. A dor é individual e o crescimento mais ainda. Respeitar também é uma forma de amar.

Há ainda momentos de silêncio em que, se tentar falar, as palavras não obedecem. Não preenchem, não cabem e não conseguem definir o que transborda de dentro, da fonte do viver. Transparecer no olhar é o único jeito nessas horas. Ou aquele abraço que parece querer fundir alma e carne, que é para ver se o sentimento indescritível passa para o outro, em linguagem sem verbetes.

Silêncio também é espera, é segredo. Amar nem sempre é revelar tudo só porque é verdade. Mentiras não cabem onde se ama, é fato, mas a verdade pode e deve ser dita de várias maneiras, no tempo certo e com o calor nos olhos. A verdade sempre ama e liberta se não for usada como espada.

Antecipação também gera silêncio. E quer ansiedade maior do que aquela de quem ama? É o roer de unhas da espera. Os dedos que conferem a tela do telefone incontáveis vezes. A espera do dia certo e da hora certa de cruzar olhares. Saudade que silencia conversas, planos e até pensamentos.

Mais do que isso, o amor verdadeiro silencia em cumplicidade. As pausas, meio-sorrisos e suspiros permeiam o ar daqueles que respiram juntos, caminham juntos. Silêncio de quem entende a individualidade do outro, porque até nisso a vida de quem ama é compartilhada. Afinal, como se sentir em casa se não existir, além do amor, a paz do silêncio?

Fonte da Imagem: Daniel Santalla

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