O amor é brega. E quem não é?

terça-feira, 22 de março de 2016

UM POUCO MENOS DE MIM


As palavras me faltam. Meu coração está em conflito e eu não sei que rumo tomar. É minha alma que diz sim e a mente que diz não. Os dedos já não sabem mais o que fazer. Meus passos falseiam e o corpo amolece como que sem direção. Para onde irei, se você não estiver lá? Para onde tornarei se você não me ouvir? Para quem eu viverei, se você não me amar?

Meus olhos se abrem pela manhã e mais um dia se descortina pela janela. As nuvens escuras e o sol frio que não dissipa a dor de viver. Minhas lágrimas escorrem quentes. Ardem como as palavras que insistem em não colaborar. Sopro de vida que é cada vez mais difícil respirar.

Ainda lembro como foi. Você chegou de mansinho, como uma pergunta inocente em uma mente pueril. Daquelas que se questionam onde nascem os chicletes. Sorrateiro e certeiro, desvendou um mundo que eu jamais imaginei existir. E sabe de uma coisa? Ninguém mais enxerga esse mundo também.

Só eu o anseio e tenho fome de ver. Espero as tuas migalhas para enxergar de novo o mundo de cores lavadas e sonhos sussurrados. Resplandecente mais que o sol e quente mais que a alma. Seu toque que treme em meus dedos, que queima sem consumir. Flutuar nas asas desse amor que me dá sede e me confunde. Sacia, mas vicia. Faz todo o resto parecer irreal. Transborda em invencibilidade e ilusão, só para me jogar de novo na minhas falhas, de cara com a minha fraqueza.

Assim eu abro os olhos e ainda estou de joelhos. O tapete morde minha pele sem dó, os lençóis esfriam e a porta me espera. Aí lembro que o efeito passou e por mais que eu me agarre, os nós dos dedos esbranquiçados de tanto se esforçar, você me escapa por entre os músculos esguios. Muito mais forte que o ar que eu tento respirar.

Para onde vou se você não estiver lá? Que roupa eu vou vestir, se você não se importar? Que gosto o pão vai ter se você não o salgar?

Derrama de volta o teu ser em mim. Faz-me sentir viva e com uma porção sem fim. Traz essa eternidade a qual só vejo de relance, mas que me enche de mais uma chance de tentar te amar e ser feliz com um pouco menos de mim.


4 comentários:

  1. Célia, que texto incrível!
    Teu jeito de escrever cativa, as rimas meio que vão embalando e no final parece deixar um gostinho de quero mais! ♥

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    1. Obrigada, Gabrielle! Fico feliz que tenha gostado ;)

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  2. Otimo texto...realmente, um escrito q ao chegar ao fim deixa um gostinho de quero mais...Parabéns!

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