O amor é brega. E quem não é?

quinta-feira, 3 de março de 2016

POR ONDE ANDA SEU FRIO NA BARRIGA?




Final de semana chegando e seu único pensamento é um pote enorme de sorvete de flocos para fazer companhia ao sofá, cobertor e maratona de sua série favorita na Netflix. No celular, o whatsapp tem inúmeros convites de amigos para curtir baladas, praia, barzinho, cinema, churrasco na piscina e até uma festinha infantil regada a brigadeiros e coxinhas que você pode comer até explodir. Absolutamente nada muito interessante — tirando as coxinhas — que te faça mudar de ideia. Esse desânimo já vem te acompanhando há algum tempo, talvez alguns meses ou pouco mais de um ano. Na verdade, você já nem se lembra muito bem. As coisas tem andado tão sem graça ultimamente que sua melhor companhia é o sagrado café do fim de tarde na cafeteria perto do trabalho. Fica em frente ao parque da cidade. Um dos poucos lugares que o silêncio consegue abafar os sons que a cidade faz.

Entre pássaros, árvores e um pequeno lago, é ali que muita gente diminui o ritmo do seu cotidiano para respirar um pouco. Nesse vai e vem de gente sem pressa, os sorrisos dos casais sempre te chamam a atenção. Despretensiosos, leves... quase uma afronta à sociedade que prega o individualismo como libertação. Nela está inclusa você. Como podem as pessoas ainda quererem se prender às outras dessa forma? Mãos dadas, selfies fazendo caretas, lençol estendido na grama, um afago nos cabelos, bocas que riem e se beijam e riem novamente. Nem se lembra mais quando foi a última vez que o coração bateu mais forte, não é?

Mas quem se importa? Bem... você se importa. De repente começa a puxar da memória alguns "quases" que viveu no último ano. Flávio era bacana. Bom papo, tocava violão, conversava sobre política e literatura francesa com a mesma paixão. A química era espetacular! E aquela barba então? Mas por que terminou mesmo? Ah! Ele falou de vocês passarem o final de semana na casa dos tios dele, na praia. Já é pedir demais isso. Teve Marquinhos também. Estudante de biologia, era voluntário de uma ong que cuidava de animais abandonados e tinha um beijo maravilhoso. Mas era novinho demais. Pedro era muito caseiro. João tinha um filho. Cláudio morava longe... Todos eram rapazes maravilhosos, aliás, você não teria ficado com eles se não fossem. Mas o que faltou mesmo para que pudessem seguir adiante?

Por onde anda seu frio na barriga? Ou melhor: até quando você ainda vai se boicotar? Claro que é possível ser feliz sozinha, mas, diga a verdade, não é muito melhor ser feliz com alguém que te faça companhia num sábado chuvoso, te ajudando a curar daquela gripe chata que teima em te pegar? Ou que te pegue sexta à noite no trabalho, já com algumas roupas suas dentro de uma mochilha, no fundo do carro, e sigam para um final de semana distante da civilização? Ou que estenda um lençol na grama do parque, te faça um afago nos cabelos e misturem beijos e risos enquanto alguém, na cafeteria ali adiante, inveje a felicidade de vocês?

Às vezes só é preciso permitir-se um pouco mais. Se for para ter medo de correr riscos, fique em casa, compre uma pizza e, a emoção mais forte que irá sentir, provavelmente, será quando o ator principal de sua série favorita estiver sendo perseguido por zumbis comedores de cérebro. Caso ainda queira algo diferente, dê uma última olhada no celular antes de pagar o café...

— Rafa, o cinema no sábado ainda está de pé?

7 comentários:

  1. Às vezes só é preciso permitir-se um pouco mais

    Vitor, não sei mensurar o quanto gostei deste texto. Eu lembrei dos meus Marquinhos, Joãos, Flávios e descobri que era como essa moça que não se permitia.

    Ainda bem que nunca é tarde para se abrir e se deixar fluir. :)

    Belíssimo ♥

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  2. Eu me vi em cada linha do teu texto, Vitor. Acho que a mágica da vida é essa, mesmo que não dê certo, a gente continua seguindo, e seguindo, e seguindo.
    Fantástico!

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  3. Mas que texto lindo! Ter medo de correr riscos é morrer em vida!

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  4. Não precisa dizer quanto amor sinto por cada palavra tua né? Parabéns pelo texto e pela parceria, sucesso mais e mais. Bj

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  5. As vezes só precisamos nos permitir um pouco mais, deixar o orgulho de lado e deixarmos que esses Marquinhos, Joãos e Flávios nos façam sentir aquele frio na barriga tão gostoso!

    Texto super lindo moço!

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  6. (...) Por onde anda seu frio na barriga? Ou melhor: até quando você ainda vai se boicotar? Claro que é possível ser feliz sozinha, mas, diga a verdade, não é muito melhor ser feliz com alguém que te faça companhia num sábado chuvoso, te ajudando a curar daquela gripe chata que teima em te pegar? (...)

    Parte perfeita, assim como o texto todo!

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  7. ... Nos términos!
    Amei esse texto!♥
    Mas infelizmente não depende só de nos. :/

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